Greve convoca atenção para défices e modelo de contratação
Trabalhadores da saúde do Algarve realizaram uma greve para exigir melhores condições laborais e defender o serviço público de saúde, apontando para um quadro de carências que os sindicatos consideram insustentável. Algarve enfrenta, segundo dados mencionados pelos representantes sindicais, faltas expressivas em várias categorias, ao mesmo tempo que a administração regional privilegia a contratação temporária através de planos de contingência em vez de recrutamento por tempo indeterminado.
Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), criticou a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve por esta prática e alertou para o impacto nos serviços e no desenvolvimento profissional dos enfermeiros. A dirigente sindical referiu também receios sobre efeitos orçamentais decorrentes de despesas associadas à defesa, que podem concorrer com necessidades na saúde.
Extensão das carências por categorias
Os sindicatos quantificaram os défices na região: há milhares de postos por ocupar entre assistentes operacionais, enfermeiros e técnicos. Estes números foram repetidos nas intervenções sindicais como argumento para a exigência de políticas de recursos humanos mais estáveis e concursos que permitam progressão e fixação dos profissionais.
| Categoria | Falta apontada |
|---|---|
| Assistentes operacionais / Técnicos Auxiliares de Saúde | 500 |
| Enfermeiros generalistas | 1500 |
| Enfermeiros especialistas | >500 |
| Técnicos (vários) | 500 |
“a possibilidade de desenvolvimento profissional dos enfermeiros”
Rosa Franco, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN), salientou que a ULS contrata assistentes operacionais para exercer funções próprias de Técnicos Auxiliares de Saúde (TAS), agravando a lacuna de TAS. A dirigente sublinhou que apenas são abertas vagas para assistentes operacionais nos poucos concursos lançados, o que não corresponde às necessidades identificadas.
Preocupações sobre privatização de serviços e projetos adiados
Para os sindicatos, existe igualmente preocupação com a possibilidade de transferência de serviços para o setor privado ou social, incluindo instituições como as Misericórdias, interpretada como um caminho que pode “facilitar a entrega da gestão aos privados”. Simões mencionou ainda projectos emblemáticos da região, como o Hospital Central do Algarve e o Centro Oncológico de Referência do Sul, cuja execução tem sido envolta em incerteza e atraso — circunstâncias que reforçam o desconforto dos profissionais e utentes.
- Reivindicação central: passagem de contratos temporários para vínculos permanentes.
- Exigência de mais concursos e mecanismos de progressão na carreira.
- Receio de transferência de serviços públicos para privados/social.
O movimento de greve no Algarve insere-se num quadro mais amplo de debate sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, políticas de recursos humanos e priorização orçamental. Os sindicatos apelam a respostas concretas da administração da ULS e do Governo para colmatar carências, estabilizar carreiras e garantir que os projectos de investimento prometidos na região avancem conforme anunciado.