Primeiro ano de actividade mostra resposta parcial às pressões do SNS
Um ano depois da abertura das portas, a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora‑Sintra reporta que o Hospital de Sintra atendeu 35.600 episódios de urgência e realizou aproximadamente 2.000 procedimentos cirúrgicos em regime de ambulatório. Apesar destes números, a unidade utilizou apenas cerca de 50% da capacidade instalada para actividade cirúrgica.
Inaugurado a 14 de julho de 2025 com a missão de complementar o Hospital Fernando Fonseca (HFF) — uma das unidades mais sobrecarregadas do país — o Hospital de Sintra destinava‑se a ampliar a oferta assistencial na região que serve uma população estimada em cerca de 600.000 pessoas. A ULS sublinha que a nova unidade permitiu distribuir a resposta por duas instituições hospitalares e aproximar cuidados à população, mas admite que a elevada procura continua a ser «um desafio permanente».
“A abertura do Hospital de Sintra permitiu distribuir a resposta por duas unidades hospitalares, aumentando a capacidade instalada e aproximando os cuidados de saúde da população.”
Do total de urgências registadas ao longo do ano, cerca de 60% correspondem às 35.600 ocorrências verificadas, face às 60.000 urgências anuais projetadas para o novo hospital — a maioria classificadas como pulseira verde, ou seja, de menor gravidade. A unidade disponibiliza, apesar disso, várias valências diferenciadas, incluindo sala de eletrocardiograma, unidade de observação, pequena cirurgia e apoio permanente de imagiologia com radiologia convencional e TAC.
Capacidade cirúrgica por desenvolver e implicações
A utilização de apenas metade da capacidade cirúrgica instalada tem implicações operacionais e de acesso. A ULS indicou que, com mobilização de recursos, o número de cirurgias poderá aumentar, o que aponta para margens de expansão sem necessidade de investimento imediato em infra‑estruturas físicas.
- 35.600 episódios de urgência no primeiro ano (aprox. 60% do previsto).
- 2.000 cirurgias em ambulatório realizadas, com 50% da capacidade cirúrgica utilizada.
- Serviço integrado na ULS Amadora‑Sintra visando aliviar a pressão sobre o HFF, que serve cerca de 600.000 pessoas.
A leitura destes dados exige cautela: por um lado, o novo hospital já contribuiu para descongestionar, ainda que parcialmente, um sector com listas de espera e urgências sobrecarregadas; por outro, a subutilização da capacidade cirúrgica evidencia dificuldades na mobilização de profissionais, gestão de agendas e fluxos de doentes — factores frequentemente determinantes para traduzir capacidade instalada em actividade efectiva.
Para além da componente hospitalar, a ULS lembra que um terço da população referida não tem médico de família atribuído, um dado que influencia a procura por cuidados de urgência e a necessidade de planeamento integrado entre cuidados primários e hospitalares. A evolução da actividade nos próximos meses será um indicador relevante para perceber se o Hospital de Sintra conseguirá cumprir as projecções iniciais e contribuir de forma mais substantiva para reduzir pressões sobre o HFF e melhorar tempos de resposta para cirurgias e consultas.
| Indicador | Valor (1.º ano) |
|---|---|
| Episódios de urgência | 35.600 |
| Projecção anual de urgências | 60.000 |
| Cirurgias em ambulatório | 2.000 |
| Capacidade cirúrgica utilizada | 50% |
| Data de inauguração | 14 de julho de 2025 |
Perante estes números, as prioridades a curto prazo passam por reforçar recursos humanos, optimizar circuitos clínicos e integrar melhor a resposta entre níveis de cuidados. Só assim será possível traduzir a capacidade instalada em mais actividade efetiva, reduzir listas de espera e responder à procura elevada e crescente por cuidados de saúde na área da ULS Amadora‑Sintra.