Frota envelhecida força INEM a contratar aluguer para manter viaturas de socorro
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) decidiu recorrer ao aluguer de automóveis ligeiros para colmatar a falta de viaturas disponíveis destinadas ao socorro. A medida, anunciada pelo presidente do instituto, Luís Cabral, em entrevista à CNN Portugal, resulta das dificuldades geradas por uma frota com elevados níveis de desgaste e por reparações frequentes que deixam veículos indisponíveis.
Segundo o responsável, a solução encontrada foi a celebração de um ajuste direto com uma empresa de aluguer de automóveis, com um valor máximo contratual de 5.000 euros. O acordo prevê um custo diário de 25€ por cada viatura requisitada, pago conforme as necessidades operacionais.
“Tivemos de recorrer a esta opção de aluguer para garantir que não faltavam viaturas de socorro.”
Do ponto de vista operacional, a medida incide sobretudo sobre as Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), os veículos amarelos que transportam médicos e enfermeiros para intervenções de maior gravidade, acionadas simultaneamente com as ambulâncias. A indisponibilidade destas viaturas representa um risco para a resposta a ocorrências graves, uma vez que substituições imediatas nem sempre estão asseguradas quando os veículos oficinais são numerosos.
O presidente do INEM sublinhou que muitos automóveis da actual frota têm mais de 10 anos, com alguns a rondar os 20 anos, o que implica manutenção contínua e uma necessidade de renovação que não foi satisfeita por investimento nos últimos anos. Face a um parque envelhecido e à impossibilidade de garantir sempre um veículo de substituição, o aluguer tornou-se a alternativa para preservar a continuidade do serviço.
- Problema central: frota velha e reparações frequentes.
- Impacto imediato: necessidade de veículos de substituição para as VMER.
- Solução temporária: ajuste direto com rent-a-car — limite de 5.000€, 25€/dia por viatura.
Esta solução de emergência levanta interrogações sobre a estratégia de manutenção e renovação de meios nas entidades de socorro. A opção por um contrato de aluguer caracteriza-se como paliativa e coloca o debate sobre prioridades orçamentais e planeamento a médio e longo prazo na agenda pública. Até que ponto a substituição e actualização da frota será viável sem decisão política e orçamento dedicado permanece uma questão em aberto.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Valor máximo do ajuste direto | 5.000€ |
| Custo diário por viatura | 25€ |
| Idade de muitos veículos | + de 10 anos (alguns ~20 anos) |
Além do impacto operacional, a medida tem também implicações financeiras e de transparência na gestão pública: o recurso a ajustes diretos e alugueres pontuais merece acompanhamento para garantir eficiência dos recursos e segurança dos cidadãos que dependem do socorro urgente. A situação descrita pelo INEM evidencia uma vulnerabilidade no sistema que pode comprometer a rapidez e qualidade da intervenção em casos críticos, até que exista um plano de renovação da frota compatível com as necessidades do país.