Sociedade

Investigadores portugueses medem altitude e velocidade de nuvens em Marte pela primeira vez

Uma equipa ligada à Universidade de Lisboa e ao Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço conseguiu, a partir de imagens da sonda Mars Express, medir simultaneamente a altitude e a velocidade de nuvens marcianas, avanço publicado no Journal of Geophysical Research: Planets.

Investigadores portugueses medem altitude e velocidade de nuvens em Marte pela primeira vez
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

Novo avanço português na caracterização da atmosfera marciana

Cientistas portugueses assinaram um estudo considerado inédito que conseguiu quantificar, a partir de imagens, a altitude e a velocidade de nuvens em Marte. O trabalho, divulgado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integra investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e esteve apoiado em dados da sonda europeia Mars Express, em órbita do planeta há 23 anos.

A observação de nuvens marcianas é rara e tecnicamente exigente, mas oferece uma via direta para identificar ondas atmosféricas — fenómenos essenciais para perceber como a energia é transportada através das diferentes camadas da atmosfera. Com esta medição, a equipa portuguesa contribui para um quadro mais detalhado da dinâmica atmosférica do planeta vermelho.

"É a primeira vez que conseguimos medir simultaneamente a altitude e a velocidade das ondas atmosféricas em Marte a partir de imagens de uma única câmara"

O primeiro autor do estudo, Francisco Brasil, destacou que o conhecimento da distribuição atmosférica por camadas terá implicações práticas quando se planearam operações como a entrada, descida e aterragem de futuras missões. O estudo foi recentemente publicado na revista especializada Journal of Geophysical Research: Planets.

Metodologia e colaboração

A medição foi possível graças à análise de imagens captadas pela Mars Express. O trabalho contou com a participação direta de investigadores ligados à própria missão da Agência Espacial Europeia (ESA), complementando a componente nacional da investigação desenvolvida na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

  • Utilização de imagens de uma única câmara da Mars Express;
  • Determinação simultânea de altitude e velocidade das nuvens;
  • Publicação na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

Consequências e enquadramento

Além do valor científico para a meteorologia planetária, os resultados reforçam a contribuição portuguesa em missões e estudos espaciais europeus. O trabalho insere-se num contexto global em que potências como a China e os Estados Unidos planeiam enviar missões tripuladas a Marte na década de 2030; compreender a atmosfera marciana é um requisito prévio para minimizar riscos em futuros pousos e operações humanas.

ElementoValor/Descrição
Sonda utilizadaMars Express
Tempo em órbita23 anos
PublicaçãoJournal of Geophysical Research: Planets

Este marco demonstra ainda que, com dados remotos de alta qualidade e processos de análise adaptados, é possível extrair informação sobre a circulação atmosférica de planetas vizinhos. Para investigadores e agências espaciais, avanços desta natureza são peças-chave para reduzir a incerteza durante missões de exploração mais ambiciosas.

Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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