O anúncio de um investimento privado de €450 milhões para a criação do parque temático Viva Mundo em Santarém suscitou críticas e apreensões locais sobre os efeitos ambientais e territoriais da obra. O projeto, liderado pelo grupo JFA e por um investidor de origem britânica, tem como gestor o antigo presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras. No dia 12 de junho, a Câmara Municipal de Santarém aprovou o procedimento de elaboração do Plano de Pormenor para a Quinta de Santo António, na União de Freguesias de Achete, Azoia de Baixo e Póvoa de Santarém, terrenos atualmente classificados como solo rústico e propriedade da Paróquia de Marvila.
Impactos sobre o solo e a biodiversidade
A conversão de solo rústico para usos urbanísticos implica alterações permanentes na função do território. Entre os riscos apontados consta a artificialização do solo, que reduz a infiltração da água, aumenta o escoamento superficial e compromete a capacidade do solo para armazenar carbono. Esses efeitos podem traduzir‑se em maior vulnerabilidade a cheias locais, degradação da qualidade dos aquíferos e perda de habitats que sustentam a fauna e a flora locais.
O debate coloca a necessidade de ponderar os benefícios económicos anunciados com os serviços ecossistémicos que serão perdidos caso a transformação do território venha a ser efetivada sem medidas mitigadoras robustas.
Questões em aberto e pontos de atenção para a população
- Reclassificação do uso do solo: alteração de rústico para urbanizável para permitir a implantação do parque.
- Pressão sobre recursos hídricos: aumento da procura de água e potencial impacto na qualidade dos aquíferos locais.
- Perda de biodiversidade e funções ecológicas: fragmentação e impermeabilização de áreas naturais.
As preocupações levantadas não negam a dimensão do investimento nem a potencial criação de postos de trabalho e dinamização económica, mas sublinham a importância de condicionar o projeto a estudos de impacto ambiental rigorosos e a planos de compensação territorial claros e verificáveis.
| Elemento | Dados conhecidos |
|---|---|
| Investimento | €450 milhões |
| Investidores | Grupo JFA e investidor de origem inglesa |
| Local | Quinta de Santo António — UF de Achete, Azoia de Baixo e Póvoa de Santarém |
| Gestor do projeto | Carlos Carreiras |
Para os habitantes da zona, os próximos passos a acompanhar são a elaboração e discussão pública do Plano de Pormenor, a disponibilização dos estudos de impacto ambiental e as condições que venham a ser impostas pela Câmara Municipal de Santarém para licenciar qualquer intervenção. A transparência no processo e a participação das comunidades locais serão determinantes para conciliar desenvolvimento económico e conservação ambiental.