Risco de fecho põe em causa respostas sociais e postos de trabalho
A Associação de Atividades Sociais do Bairro 2 de Maio, uma IPSS com funcionamento de cinco décadas na Ajuda, em Lisboa, enfrenta a possibilidade de encerramento, situação que pode deixar sem respostas 78 crianças da creche e pré‑escolar, bem como 30 idosos que beneficiam do centro de dia e apoio domiciliário. O cenário ameaça igualmente o emprego de 22 trabalhadores, que já receberam informação sobre falhas no pagamento de subsídios de férias.
Segundo o Sindicato de Professores da Grande Lisboa, a direção desta associação informou os pais sobre a necessidade de procurar alternativas, ao mesmo tempo que garantia diligências para assegurar a continuidade dos serviços. A mesma fonte questiona a origem dos fundos públicos que a instituição tem recebido, referindo um saldo positivo de 5 mil euros em 2025 e sublinhando que a situação atual aparenta «muito estranha».
"Há formalismos de insolvência legalmente previstos mas aqui não foi feito nada, é tudo muito estranho"
O Instituto da Segurança Social declarou ao jornal que o Centro Distrital de Lisboa não tem registo de comunicações provenientes da IPSS sobre constrangimentos financeiros ou de outra natureza, nem pedidos de atribuição de Fundo de Socorro Social para apoiar o equilíbrio financeiro da entidade. A redação tentou contactar a direção da associação sem sucesso.
Consequências imediatas e questões de governação
O eventual fecho desta instituição acarreta efeitos imediatos para famílias e para a população idosa assistida: a migração urgente de crianças para outras respostas de educação infantil e a reorganização do apoio domiciliário para utentes que dependem desses serviços. Para os trabalhadores, além do risco de desemprego, há a preocupação com direitos salariais e compensações não satisfeitas.
- Impacto direto em 78 crianças e 30 idosos apoiados.
- Ameaça ao emprego de 22 trabalhadores e falta de pagamento de subsídio de férias.
- Instituições públicas sem registo formal de pedidos de apoio financeiro da IPSS.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Crianças na creche/pré‑escolar | 78 |
| Idosos no centro de dia/apoio domiciliário | 30 |
| Trabalhadores | 22 |
| Saldo positivo em 2025 | 5 000 € |
Este caso coloca questões sobre mecanismos de supervisão e apoio a instituições sem fins lucrativos que gerem respostas sociais essenciais: quando e como as entidades públicas são informadas de dificuldades que possam pôr em risco a continuidade dos serviços? A ausência de registo de comunicações ao Centro Distrital levanta dúvidas sobre a transparência e os procedimentos seguidos pela IPSS.
A situação exige uma clarificação célere por parte da direção da associação e das autoridades competentes, de modo a proteger utentes e trabalhadores e a garantir que a rede social da cidade não sofre perturbações evitáveis. Enquanto isso não acontece, famílias e profissionais enfrentam uma incerteza que pode traduzir‑se em soluções temporárias e maior pressão sobre outras instituições que prestam cuidados a crianças e idosos em Lisboa.