O encontro particular disputado no sábado, que terminou com triunfo da equipa brasileira sobre o Benfica, ficou marcado não só pelo desempenho em campo mas também por um momento de tensão junto aos bancos de suplentes. Na conferência de imprensa pós-jogo, o treinador do Flamengo destacou a exibição da sua formação, defendeu as ideias de jogo implementadas e confrontou-se com a leitura sobre a ocorrência que envolveu intervenções junto ao banco do Benfica.
Desempenho e intenção: o fio condutor do Flamengo
Na abordagem ao resultado, o técnico frisou que o Flamengo "está habituado a jogar para ganhar" e que o objectivo primário era testar conceitos e ideias, mesmo num jogo de preparação. Referiu ainda que, apesar de se treinar para vencer, a intenção não passa por triunfar à custa de atitudes passivas: se a equipa tivesse jogado apenas defensivamente e marcado de forma fortuita, não seria esse o modelo pretendido. Sobre intervenções individuais, foi referido que Rossi teve duas intervenções, enquanto o guarda-redes adversário teve, nas palavras do treinador, "muito mais".
Confronto junto ao banco: reacção de Jardim
Quanto ao episódio que originou ruído junto da área técnica benfiquista na primeira parte, o treinador do Flamengo descreveu-se como uma pessoa calma e respeitosa, mas rejeitou ser alvo de provocações físicas ou verbais durante o trabalho. Segundo a sua versão, tentou aproximar-se de um elemento do banco para responder a uma acção, mas foi confrontado com uma recuada e intervenção de terceiros. A avaliação foi curta e directa e ficou marcada por uma frase contundente do técnico:
"Os cobardes são assim, fogem"
Na mesma intervenção, o treinador manifestou desconforto com que o seu gesto fosse interpretado como provocatório, afirmando que não aprecia ser agarrado e que só a família tem esse direito.
Apoio da comunidade e gestos institucionais
Além da análise futebolística e do episódio de contestação, o treinador do Flamengo aproveitou a ocasião para realçar a presença massiva de adeptos ligados ao clube brasileiro em Portugal. Recordou uma breve conversa com o presidente do Benfica, Rui Costa, que salientou a capacidade do Flamengo em atrair público, sobretudo imigrantes a trabalhar em Portugal. Agradeceu aos que viajaram para assistir ao jogo e desejou sorte ao Benfica para a sua participação na Liga Europa.
- Momento de tensão: intervenção junto do banco na 1.ª parte envolvendo o banco do Benfica e elementos do Flamengo.
- Declaração: treinador qualificou a atitude dos intervenientes com a expressão citada na conferência.
- Contexto desportivo: jogo particular, com foco em testar conceitos e ideias, e reconhecimento do apoio dos adeptos.
| Item | Registo |
|---|---|
| Intervenções de Rossi | 2 |
| Intervenções do guarda-redes adversário | Mais do que Rossi (segundo o treinador) |
| Natureza do jogo | Particular |
O episódio reaviva um debate recorrente no futebol sobre os limites da proximidade entre técnicos, suplentes e elementos de banco durante o desenrolar das partidas, ainda que neste caso se trate de um jogo de caráter amigável. A presença de um elevado número de adeptos de uma comunidade emigrante sublinha também a dimensão social e simbólica de confrontos entre clubes de duas realidades futebolísticas distintas.
As declarações do treinador do Flamengo encerraram-se com um agradecimento aos adeptos que deslocaram para assistir ao encontro e com um desejo de sucesso para o Benfica na sua participação europeia, reiterando, porém, uma defesa firme da sua postura profissional e pessoal face ao incidente no banco.