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Leiria: CIM rejeita proposta de zonas de aceleração para renováveis por impacto territorial

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria entregou um parecer desfavorável ao Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER), por considerar que o mapeamento proposto abrange áreas excessivas, não avaliou efeitos cumulativos e não consultou os municípios.

Leiria: CIM rejeita proposta de zonas de aceleração para renováveis por impacto territorial
©Ilustração IA Paulo Simões / propagandistasocial.com

Rejeição do parecer sobre ZAER coloca foco na coordenação territorial

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria emitiu um parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER), argumentando que as áreas propostas são excessivas e que o processo careceu de articulação com os municípios. A posição foi tornada pública com base num comunicado da CIM e em declarações divulgadas pela agência Lusa.

A CIM alerta que, em alguns concelhos da região, as zonas identificadas pela proposta cobrem entre cerca de 12% e 30% do território. Segundo a entidade, não foi feita uma avaliação adequada dos efeitos cumulativos dessas áreas à escala municipal, o que pode conduzir a constrangimentos significativos na gestão do território.

  • A área abrangida pelas ZAER pode sobrepor-se a zonas previstas para expansão empresarial e industrial nos PDM.
  • A proposta é apontada como prejudicial à autonomia do poder local, por favorecer instrumentos que a CIM entende sem fundamento jurídico.
  • Não foram, segundo a CIM, consideradas alternativas com menor impacto territorial, como reforço hidroelétrico existente ou energia eólica offshore.

Entre as reservas manifestadas destaca-se a preocupação com a compatibilidade entre o mapeamento das ZAER e os Planos Diretores Municipais (PDM), instrumentos legalmente responsáveis pela organização do solo em cada concelho. A CIM sublinha que a proposta pode gerar conflitos de uso do solo ao não acautelar essas sobreposições.

"A proposta ignora completamente os municípios"

O presidente da CIM, Jorge Vala, salientou ainda que a proposta "ignora completamente os municípios" e desconsidera "outras alternativas de energias renováveis como são a biomassa, o biometano ou o hidrogénio verde", segundo a informação difundida pela agência Lusa.

A CIM questiona também a referência aos PDM enquanto fator de bloqueio e a ideia de um eventual "licenciamento zero" ou flexibilização do controlo urbanístico, apontando que tais medidas carecem de fundamento jurídico e podem comprometer a autonomia do poder local. Outro ponto de crítica prende-se com a alegada subavaliação dos impactos territoriais e paisagísticos resultantes do reforço da rede elétrica necessária para acolher novos projetos renováveis.

Como alternativa, a Comunidade Intermunicipal propõe uma estratégia que privilegie:
- o reforço do aproveitamento hidroelétrico já existente;
- o desenvolvimento da energia eólica offshore;
- investimentos em hidrogénio verde, biometano, biomassa e autoconsumo;
- a produção descentralizada e a reconversão de áreas já artificializadas ou degradadas.

Aspecto Preocupação da CIM
Percentagem de território abrangida 12% a 30% em alguns concelhos
Compatibilidade com PDM Sobrecarga e risco de conflitos de uso do solo
Impacto paisagístico e territorial Considerado subavaliado na proposta

Para os habitantes de Leiria, a divergência entre a CIM e a proposta nacional traduz-se em questões práticas: possíveis restrições ou alterações a projetos locais, incerteza sobre áreas que podem vir a ser afetadas por infraestruturas energéticas e necessidade de clarificação sobre procedimentos de licenciamento. A posição da CIM reforça a exigência de maior envolvimento dos municípios nas decisões que influenciam diretamente o ordenamento do território e a compatibilização entre desenvolvimento energético e usos existentes.

Paulo Simões
Paulo IA Correspondente no distrito de Leiria online

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