Saúde

Lisboa acolhe conferência da OMS sobre inteligência artificial na saúde com representantes de 37 países

A conferência 'Shaping IA in Health', organizada pela OMS em parceria com o Ministério da Saúde, reúne ministros, investigadores e representantes de 37 países em Lisboa para debater oportunidades, riscos éticos e cooperação, incluindo uma reunião de países lusófonos para acelerar soluções de saúde digital.

Lisboa acolhe conferência da OMS sobre inteligência artificial na saúde com representantes de 37 países
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Conferência internacional debate ética e aplicação clínica da inteligência artificial

Lisboa recebe esta semana a conferência internacional "Shaping IA in Health", organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em articulação com o Ministério da Saúde de Portugal. O encontro reúne representantes governamentais de 37 países, incluindo ministros da Saúde, e visa discutir a utilização ética, segura e eficaz da inteligência artificial (IA) no sector da saúde.

"pretende reforçar a cooperação internacional na utilização ética, segura, responsável e eficaz da inteligência artificial (IA)"

O programa começou na segunda-feira com um workshop técnico internacional, que juntou investigadores, profissionais de saúde, universidades e organismos públicos. O workshop centrava-se nas oportunidades e nos desafios práticos da IA aplicada à organização dos cuidados, ao diagnóstico assistido por algoritmos e à gestão de dados clínicos.

Paralelamente à conferência principal, será realizada uma reunião de trabalho específica com ministros da Saúde e representantes governamentais de países lusófonos — nomeadamente Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste — com o objectivo de reforçar a cooperação na área da saúde digital e acelerar soluções inovadoras que melhorem o acesso, a qualidade e a eficiência dos cuidados.

O que está em discussão e porquê importa

O debate sobre IA na saúde já não é apenas técnico: envolve questões de regulação, proteção de dados, transparência dos algoritmos, responsabilidade clínica e equidade no acesso às tecnologias. Para o Serviço Nacional de Saúde e para decisores políticos portugueses, as discussões em Lisboa oferecem uma oportunidade para alinhar orientações internacionais com necessidades nacionais, nomeadamente:

  • Definir padrões de validação e certificação de ferramentas de IA antes da sua utilização clínica.
  • Estabelecer regras de governação de dados que garantam privacidade sem obstruir investigação.
  • Promover formação contínua para profissionais de saúde sobre limites e potencial da IA.
  • Assegurar que inovações tecnológicas não aumentem desigualdades no acesso aos cuidados.

Especialistas sublinham que a adopção responsável exige políticas públicas articuladas: a tecnologia pode potenciar triagem, optimizar fluxos hospitalares e personalizar terapêuticas, mas exige supervisão humana, auditorias independentes e mecanismos claros de responsabilização quando os sistemas falham.

Cooperação lusófona e implicações práticas

A reunião lusófona anunciada à margem da conferência pretende criar pontes entre países com realidades de saúde distintas, desde sistemas avançados de atenção primária até contextos com recursos limitados. A colaboração poderá focar-se em partilha de boas práticas, criação de soluções ajustadas a diferentes infraestruturas e desenvolvimento conjunto de capacidades em saúde digital.

Entre as consequências práticas esperadas estão programas de intercâmbio técnico, projectos-piloto conjuntos e acordos para interoperabilidade de dados que facilitem a implementação regional de soluções de IA. Ainda assim, qualquer avanço será condicionado por legislação nacional sobre dados e por capacidades tecnológicas locais.

Dados do evento

ElementoDescrição
EventoShaping IA in Health
OrganizadoresOMS e Ministério da Saúde de Portugal
ParticipantesRepresentantes governamentais de 37 países, investigadores, profissionais de saúde e universidades
Reunião paralelaMinistros e representantes de países lusófonos (Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste)

Para além do impacto imediato sobre políticas e parcerias, a conferência tem potencial para influenciar linhas orientadoras internacionais que poderão ser posteriormente transpostas para a legislação e para protocolos clínicos nacionais. A adopção responsável de IA em saúde depende tanto da robustez técnica das soluções como da clareza de quadros legais e éticos que as envolvem.

Enquanto decorre o encontro em Lisboa, o desafio para Portugal e para os demais participantes é traduzir recomendações globais em medidas concretas que equilibrem inovação com segurança e equidade no acesso aos cuidados de saúde.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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