Centro de São Vicente inicia operação limitada e promete expansão até setembro
Um centro destinado a pessoas em situação de sem-abrigo instalado em garagens de prédios municipais na freguesia de São Vicente, em Lisboa, já está a funcionar com uma operação faseada e acolhe neste momento 12 mulheres. A inauguração progressiva prevê chegar a várias tipologias de resposta social até setembro, disse a vereadora responsável e apontam os elementos presentes na visita técnica.
As obras de adaptação realizadas nos espaços geridos pela Gebalis criaram condições para receber, no final do processo, até 90 pessoas, distribuídas entre acolhimento temporário, apoio de pernoita e respostas específicas para seniores. A operação está a cargo de uma equipa de 10 profissionais da Vitae - Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Internacional, que assegura, para já, a vertente de acolhimento temporário.
O centro não se limita a alojamento noturno: integra um conjunto alargado de serviços e atividades dirigido a promover a reinserção e a estabilidade, incluindo apoio social, medidas de empregabilidade, mediação comunitária e serviços de proximidade, com programas destinados também a crianças em idade escolar. É ainda condição de admissão não apresentar dependências ativas de consumo de substâncias.
"sem resposta cabal da razão da escolha"
Durante uma visita acompanhada pela Lusa, deputados municipais das comissões de Urbanismo, Obras Municipais, Habitação e Desenvolvimento Local, bem como de Direitos Humanos e Sociais e de Inovação, colocaram questões sobre a localização e a concentração de respostas numa mesma área da cidade. O vereador do PS, Hugo Gaspar, afirmou ter ficado "sem resposta cabal da razão da escolha" do local, segundo registado pela Lusa.
O plano de abertura prevê fases distintas: primeiro reforçar a vertente de acolhimento para mulheres, passando em seguida a disponibilizar vagas para homens com mais de 65 anos e, por fim, ativar a componente de pernoita. A sequência e os números programados são os seguintes:
- Fase atual: acolhimento temporário com 12 mulheres (crescimento previsto até 22).
- Próxima fase: vagas para homens com mais de 65 anos (24 lugares).
- Fase final: abertura da vertente de pernoita com capacidade para 44 pessoas.
| Tipologia | Capacidade prevista |
|---|---|
| Acolhimento temporário (mulheres) | 22 |
| Seniores masculinos (>65 anos) | 24 |
| Pernoita | 44 |
| Total | 90 |
Os responsáveis municipais presentes na visita foram Maria Luísa Aldim, vereadora com o pelouro das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, o coordenador do Plano Municipal para as Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, João Marrana, e um representante da Gebalis. A composição da equipa técnica e a limitação inicial a pessoas sem dependências ativas foram destacadas como fatores que condicionam o tipo de resposta disponível.
O projeto tem provocado alguma contestação por parte de moradores locais, um tema que tem sido suscitada nas reuniões públicas e que motivou a vinda de deputados municipais para avaliar in loco as condições e o enquadramento da aposta municipal. A autarquia defende que se trata de uma solução pragmática para responder a necessidades urgentes, combinando abrigo com medidas de integração que visam reduzir a situação de sem-abrigo a médio prazo.
O funcionamento faseado deverá permitir ajustar a operação consoante a procura e as avaliações iniciais de acolhimento, mantendo-se as condicionantes sanitárias e sociais que suportam o critério de admissão. A calendarização até setembro estabelece um horizonte temporal claro para a entrada em pleno das diferentes valências, mas também exige acompanhamento regular para responder às dúvidas da cidade e dos próprios destinatários do serviço.