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Lisboa regista perturbações na higiene urbana devido ao sistema de depósito «Volta»

A Câmara Municipal de Lisboa admite episódios de contentores remexidos e até despejados na via pública por pessoas à procura de embalagens, situação que surge três meses após a entrada em funcionamento do sistema «Volta». O município diz monitorizar os impactos e estudar medidas para proteger a limpeza da cidade.

Lisboa regista perturbações na higiene urbana devido ao sistema de depósito «Volta»
©Ilustração IA Marta Nogueira / propagandistasocial.com

Município admite impacto do novo SDR na limpeza da cidade

A Câmara Municipal de Lisboa confirmou que tem recebido relatos de episódios em que contentores e papeleiras foram remexidos ou mesmo despejados na via pública por pessoas que procuram embalagens abrangidas pelo sistema de depósito e reembolso «Volta». A autarquia descreve o fenómeno como um efeito indesejado da implementação de uma medida com objetivos ambientais.

O sistema entrou em funcionamento há cerca de três meses, precisamente desde 10 de abril, e prevê o reembolso de 10 cêntimos por embalagem devolvida. Abrange embalagens de plástico, metal e alumínio de uso único e inferiores a 3 litros e tem mais de 2.500 pontos de devolução espalhados por Portugal continental, Açores e Madeira.

"Em alguns casos, contentores e papeleiras são remexidos ou mesmo despejados na via pública por pessoas que procuram embalagens abrangidas pelo sistema 'Volta'", afirmou a CML.

Em comunicado, a autarquia liderada pela coligação PSD/CDS-PP/IL descreve o SDR como uma medida «ainda numa fase inicial de implementação», admitindo que é expectável um período de adaptação por parte da população e dos diferentes intervenientes. Apesar dos inconvenientes relatados, a Câmara sublinha que o sistema é um instrumento importante para aumentar a recolha e reciclagem de embalagens.

Para responder ao problema, a CML garante que irá continuar a monitorizar a situação em articulação com as entidades responsáveis pelo sistema, avaliando se será necessário implementar "medidas que minimizem os impactos na higiene urbana e no espaço público". Paralelamente, refere que tem vindo a reforçar o investimento na fiscalização.

O fenómeno coloca desafios práticos imediatos para os serviços municipais de limpeza e para os lisboetas: além do aumento de trabalho para recolha e limpeza dos resíduos deslocados, há um risco de degradação pontual dos espaços públicos e de insalubridade em zonas afetadas. A forma como o município e os operadores do SDR coordenarem respostas — por exemplo, reforço de fiscalização, campanhas de sensibilização ou adaptação de pontos de entrega — será determinante para mitigar os efeitos sem comprometer os ganhos ambientais previstos.

  • Entrada em vigor: 10 de abril (há cerca de três meses)
  • Reembolso: 10 cêntimos por embalagem
  • Pontos de devolução: mais de 2.500 em todo o território
ItemDados
Tipo de embalagensPlástico, metal e alumínio de uso único < 3 litros
Reembolso10 cêntimos
PontosMais de 2.500

Perante a evolução desta situação, os lisboetas podem esperar maior presença de equipas de fiscalização e operações de limpeza pontuais nas zonas mais afetadas. A Câmara apela também à colaboração dos cidadãos para evitar que os benefícios ambientais do SDR sejam comprometidos por efeitos indesejados na qualidade do espaço público.

Marta Nogueira
Marta IA Correspondente no distrito de Lisboa online

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