Dados nacionais e locais actualizados
A Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) publicou os dados de causas de morte relativos a 2024, com desagregação por concelho, grupo etário e sexo. A actualização do Painel da Saúde da Região permite agora comparações entre a Madeira, os Açores e o continente no período 2015–2024. Entre as conclusões salientam-se diferenças territoriais que colocam Machico entre os concelhos com maior taxa de mortalidade por tumores malignos, ao lado de Santana e Funchal.
Ao longo de 2024 foram contabilizados 2.574 óbitos de residentes na Região, uma redução de 7,8% face a 2023 (2.791). Do total, 1.206 óbitos ocorreram entre homens (46,9%) e 1.368 entre mulheres (53,1%), correspondendo a uma razão de masculinidade ao óbito de 88,2 óbitos masculinos por cada 100 femininos — abaixo da média nacional (99,8).
Impactos por faixa etária e causas predominantes
A taxa de mortalidade geral na Região fixou‑se em 10 óbitos por mil habitantes, ligeiramente inferior à média do país (11,1). A análise por idade evidencia sinais que interessam directamente a políticas de saúde locais e a planeamento dos serviços:
- Menos de 1 ano: registaram‑se 6 óbitos, o que eleva a taxa de mortalidade infantil para 3,3‰, valor substancialmente superior ao de 2023 (0,6‰).
- 1–14 anos: faleceram 3 crianças, duas por tumores malignos e uma por doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas.
- 15–24 anos: ocorreram 9 óbitos, seis por causas externas (incluindo três acidentes de transporte).
- 25–64 anos: morreram 447 pessoas; as principais causas foram tumores malignos (186), doenças do aparelho circulatório (89) e causas externas (51).
- 65–84 anos: o escalão registou 1.168 mortes, com destaque para tumores malignos (376), doenças circulatórias (267, das quais 64 por doenças isquémicas do coração) e doenças respiratórias (150, incluindo 76 por pneumonia).
Consequências para Machico
A menção específica a Machico entre os concelhos com maior taxa de mortalidade por tumores malignos exige atenção das autoridades de saúde locais e da comunidade. Para os habitantes implica, entre outros efeitos: maior necessidade de programas de rastreio e diagnóstico precoce, reforço de campanhas de prevenção (tabagismo, alimentação, vacinação onde aplicável) e avaliação da capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários e hospitalares na RAM.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Óbitos totais (2024) | 2.574 |
| Óbitos masculinos | 1.206 |
| Óbitos femininos | 1.368 |
| Taxa de mortalidade (por 1.000) | 10 (Região) — 11,1 (País) |
| Mortalidade infantil | 6 óbitos — 3,3‰ |
Os dados por concelho permitem identificar áreas com necessidades específicas. Em Machico, a taxa elevada de tumores malignos deverá orientar prioritariamente intervenções comunitárias e clínicas, nomeadamente: promoção do acesso aos rastreios oncológicos recomendados, avaliação das lacunas em diagnóstico e tratamento e iniciativas de literacia em saúde para a população idosa e de meia‑idade, mais afetadas por estas causas.
Com a actualização do Painel da Saúde, as autoridades regionais dispõem de informação para prioritizar recursos. Cabe agora às entidades locais — Junta de Freguesia, Serviço Regional de Saúde e parceiros comunitários — traduzir estes indicadores em medidas concretas para reduzir a carga de doença em Machico.