Ambiente

Madeira testa reprodução controlada de lapas como aposta na economia do mar

Um projecto na Calheta demonstra resultados positivos na reprodução de lapas em estruturas no mar, apontando para um potencial aumento da produção e novas oportunidades económicas no arquipélago.

Madeira testa reprodução controlada de lapas como aposta na economia do mar
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

A Região Autónoma da Madeira está a desenvolver ensaios para reproduzir lapas em condições controladas no mar, uma iniciativa que combina conservação e valorização económica dos recursos marinhos. O anúncio foi feito pelo presidente do Governo Regional durante a XIX Festa da Lapa, no Paúl do Mar, e descreve-se como um esforço de investigação aplicado a possíveis actividades de produção com valor acrescentado.

Os trabalhos decorrem sob a supervisão do Centro Mar e Cultura da Calheta e, segundo o Executivo regional, os ensaios «têm apresentado resultados positivos». O projecto entrou em fase de consolidação após cerca de dois anos e meio a três anos de investigação e experiências de reprodução. O objetivo é criar estruturas que permitam controlar as condições de crescimento das lapas no ambiente marinho, sem a manutenção da espécie em cativeiro terrestre.

“Quando falamos em ambiente condicionado, é no mar, mas com um conjunto de elementos e estruturas agregadas para a reprodução e para o crescimento da lapa”, afirmou o presidente do Governo Regional.

Fases previstas e prazos

O Governo Regional indicou calendários orientadores para a evolução do projecto: numa primeira linha, a conclusão dos estudos e a finalização dos testes poderá ocorrer dentro de aproximadamente dois anos. Para se atingir uma produção de maior escala, o horizonte apontado estende-se a cerca de três a quatro anos. Estes prazos estão dependentes da consolidação técnica dos ensaios e da viabilidade económica das estruturas propostas.

Fase Duração referida Objectivo
Ensaios iniciais 2,5–3 anos (já decorridos) Testar reprodução e crescimento em estruturas no mar
Conclusão dos estudos ~2 anos Finalizar testes e validar métodos
Produção em maior dimensão 3–4 anos Escalar produção e avaliar impacto económico

Do ponto de vista técnico, a proposta salientada pelas autoridades regionais não pretende manter lapas em cativeiro terrestre; antes, traça-se uma abordagem de reprodução em ambiente marinho controlado através de estruturas específicas. Esta clarificação visa distinguir o projecto de operações convencionais de aquicultura em tanques fechados e coloca ênfase na manutenção de condições próximas das naturais, com monitorização e gestão dos parâmetros necessários ao desenvolvimento dos crustáceos.

  • Inovação: método de reprodução em estruturas no mar em vez de cativeiro terrestre.
  • Prazo: ensaios já em curso há cerca de 2,5–3 anos; horizonte para escalamento de 3–4 anos.
  • Agente: Centro Mar e Cultura da Calheta, com acompanhamento do Governo Regional.

As implicações do projecto cruzam vertentes ambientais e económicas. Se os testes se confirmarem replicáveis e seguros, poderá abrir-se uma nova oportunidade para a economia do mar na Madeira — tanto na conservação das populações selvagens, pela redução da pressão de colheita directa, como no desenvolvimento de cadeias de valor locais ligadas à produção e transformação do produto. Resta acompanhar as avaliações técnicas e o impacto ambiental que as estruturas no mar poderão ter sobre habitats costeiros e comunidades locais, antes de qualquer expansão comercial.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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