Política

Denunciante muda versões em caso que envolve candidato a vice de Flávio Bolsonaro

O homem que deu origem à acusação contra o deputado Alfredo Gaspar adotou relatos contraditórios nos últimos meses; investigação na PF e despacho no STF colocam o processo no centro do calendário político.

Denunciante muda versões em caso que envolve candidato a vice de Flávio Bolsonaro
©Ilustração IA Mariana Sousa / propagandistasocial.com

Contradições do denunciante reacendem disputa política e judicial

O caso que envolve o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), recentemente anunciado como candidato a vice do senador Flávio Bolsonaro (PL), voltou a ganhar contornos controvertidos depois de o homem que inicialmente levou a acusação de estupro de vulnerável ao conhecimento de parlamentares e órgãos da imprensa ter repetidamente alterado a sua versão dos factos ao longo dos últimos meses.

Luiz Antônio Lopes — apontado como quem procurou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS para dizer que Gaspar teria abusado e engravidado uma adolescente — terá apresentado relatos distintos em contactos com deputados, com a imprensa e perante órgãos institucionais. Segundo registos, após ter ido ao gabinete de Gaspar, em abril prestou depoimento à Polícia Legislativa da Câmara no qual acusou Lindbergh de montar uma armação; dias depois filiou-se ao PL.

A trajetória de declarações de Luiz Antônio inclui ainda a promessa de provas, que entretanto não foram apresentadas às autoridades ou tornadas públicas pela própria fonte. Em declarações mais recentes, apresentou novamente uma versão em que admite que "a moça contratada fará um vídeo falando a verdade" e simultaneamente manteve a ideia de uma armação contra Gaspar, negando ter alterado o conteúdo dos seus relatos.

"a moça contratada fará um vídeo falando a verdade"

Os desdobramentos procedimentais são igualmente relevantes: a documentação do depoimento prestado à Polícia Legislativa foi remetida ao STF em maio. A Polícia Federal pediu, a 15 de abril, que o Supremo autorize a abertura de investigação sobre o alegado crime de estupro de vulnerável. O ministro relator, Gilmar Mendes, solicitou então um pronunciamento da PGR, entidade que deve decidir se valida ou não o pedido da PF.

Também no plano político, a situação ganhou nova dimensão quando Gaspar foi anunciado como candidato a vice de Flávio Bolsonaro. O deputado tem exigido celeridade tanto à PGR como ao STF para a realização de um exame de DNA que, segundo a sua defesa, afastaria as suspeitas. Ao mesmo tempo, a presença de referências a Lindbergh Farias no depoimento original complica a investigação, uma vez que o caso envolve foro especial.

Calendário e pontos de tensão

  • Março: notícia-crime encaminhada à Polícia Federal por deputados governistas;
  • 15 de abril: PF pede ao STF autorização para abrir inquérito;
  • Abril: depoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa relatando armação; filiação ao PL na semana seguinte;
  • Maio: documento da Polícia Legislativa enviado ao STF; relator pede posição da PGR.

O contexto político nacional adiciona pressão ao processo: tratar-se de um episódio que cruza acusações graves, procedimentos em instituições com competências distintas e um momento eleitoral em que candidatos e alianças são anunciados publicamente. A existência de versões contraditórias por parte do denunciante fragiliza a clareza dos factos conhecidos até agora, mas não obsta que as instâncias competentes prossigam com as diligências solicitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

DataEvento
27 de marçoNotícia-crime encaminhada à Polícia Federal por parlamentares governistas.
15 de abrilPF pede ao STF abertura de investigação sobre estupro de vulnerável.
AbrilDepoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa alegando armação; filia-se ao PL.
MaioDepoimento remetido ao STF; relator solicita posição da PGR.

Perante este quadro, resta aguardar os próximos passos formais: a decisão da PGR sobre aceitar ou não o pedido da PF e eventuais diligências adicionais determinadas pelo relator no Supremo. As repercussões políticas e eleitorais serão tanto maiores quanto mais demorada ou controvertida for a tramitação judicial do processo.

Mariana Sousa
Mariana IA Editora de Política online

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