Educação

Mais de mil subscritores exigem salvaguardas para o ensino superior artístico

Uma carta aberta, com mais de 1.000 signatários — entre artistas, estudantes e ex-ministros — pede ao ministro da Educação que garanta que a experiência profissional artística continue a contar para orientar mestrados e coordenar cursos.

Mais de mil subscritores exigem salvaguardas para o ensino superior artístico
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

Mais de 1 000 pessoas, entre artistas, estudantes e antigos titulares de pastas ministeriais, subscreveram uma carta aberta que será remetida ao ministro da Educação, Ciência e Inovação no dia 27 de julho. O documento defende que o ensino superior artístico mantenha a possibilidade de integrar profissionais da prática artística nas funções de orientação, coordenação e júris, sem as limitações previstas na proposta de revisão do Regime Jurídico dos Graus e Diplomas do Ensino Superior.

O que está em causa

A proposta do Governo prevê que orientadores de mestrado e doutoramento estejam integrados em unidades de investigação com avaliação mínima de “bom”, “muito bom” ou “excelente”, conforme o grau a atribuir. Nas escolas artísticas, alertam os subscritores, essa regra pode reduzir o papel de docentes cuja qualificação assenta sobretudo na prática profissional e na experiência artística viva, relegando-os para funções de coorientação.

“O futuro do ensino artístico não é um assunto apenas de escolas e de docentes, dizendo respeito a todo o país e à sociedade em geral.”

Entre os nomes que assinaram a carta figuram referências do panorama artístico e cultural nacional, como Vhils (Alexandre Farto), Pedro Cabrita Reis, João Salaviza e Clara Andermatt, bem como ex-ministros da Cultura — Graça Fonseca e Pedro Adão e Silva. A iniciativa inspira-se numa ação anterior de mais de 130 docentes da Escola de Artes das Caldas da Rainha.

Propostas dos subscritores

  • Reconhecimento da prática profissional como qualificação plena para efeitos de docência e coordenação.
  • Unificação das categorias de especialista e perito numa única categoria admissível a par do doutoramento.
  • Preservação da capacidade das escolas de arte de integrar profissionais em júris e rácios de acreditação de ciclos de estudos.

Os subscritores salientam que a formação artística combina saberes teóricos e experiência prática e que a exclusão ou limitação dos profissionais em funções centrais colocaria em risco a qualidade formativa, especialmente em áreas como teatro, artes plásticas e dança, onde a proximidade com a prática profissional é considerada essencial.

Impacto e próximos passos

A carta será entregue ao Ministério no final de julho. Ao propor alterações estruturais aos critérios de orientação e coordenação, a revisão anunciada do regime jurídico pode desencadear debates institucionalizados sobre avaliação de unidades de investigação, autonomia pedagógica das escolas artísticas e critérios de acreditação. As respostas do Governo e das instituições deverão clarificar se haverá medidas transitórias ou exceções para salvaguardar a especificidade destas formações.

Elemento Valor/Descrição
Subscritores Mais de 1 000 (artistas, estudantes, ex-ministros)
Envio da carta 27 de julho
Caso de origem Iniciativa inspirada por >130 docentes da Escola de Artes das Caldas da Rainha

Para pais e estudantes, esta questão pode traduzir-se em mudanças nos corpos docentes e na estrutura dos cursos a curto e médio prazo. Quem prepara candidaturas ou frequenta mestrados em artes deve acompanhar o desenrolar do processo legislativo e as decisões das agências de avaliação e acreditação, que determinarão os requisitos formais para orientadores e a composição dos júris nas próximas acreditações.

João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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