Um marco industrial e identitário para Mangualde
Em Mangualde guarda-se a memória de um episódio que ultrapassa a dimensão técnica da produção automóvel: a saída, a 27 de julho de 1990 às 16:30, do último exemplar do Citroën 2CV fabricado no mundo. A ocorrência marcou o fecho de um capítulo que começou com o lançamento do modelo em 1948 e que esteve ligado, de forma indissociável, à história da indústria local.
O 2CV, concebido para responder às necessidades de mobilidade rural no pós‑guerra, transformou‑se num símbolo de funcionalidade e durabilidade. A unidade de Mangualde, já então consolidada como polo de produção automóvel em Portugal, teve um papel determinante na produção e difusão do modelo em vários mercados, sendo escolhida para concluir a fabricação daquele que viria a ser o último "dois cavalos".
Para a população e antigos trabalhadores, aquele momento não foi apenas a saída de um veículo da linha de montagem: representou o encerramento de uma era industrial, com implicações na memória colectiva e na identidade local. A ligação entre a cidade e o 2CV permanece viva em testemunhos e recordações dos que trabalharam na fábrica e dos entusiastas do automóvel.
- Data da última unidade produzida: 27 de julho de 1990, às 16:30.
- Ano de lançamento do modelo: 1948.
- Importância local: Mangualde foi sede da última produção mundial do 2CV.
A memória desse momento continua a fazer parte da narrativa sobre o desenvolvimento económico e social da cidade. O episódio é frequentemente recordado em conversas locais e referências históricas sobre a indústria automóvel em Portugal, sublinhando o papel de Mangualde como um dos pontos estratégicos do sector no país.
| Evento | Data |
|---|---|
| Lançamento do Citroën 2CV | 1948 |
| Última unidade produzida em Mangualde | 27/07/1990 às 16:30 |
Hoje, embora a cidade continue a afirmar‑se como um centro industrial relevante no sector automóvel, o valor simbólico do 2CV persiste. A história daquele último veículo serve como referência para debates locais sobre património industrial e para iniciativas que procuram preservar a memória do trabalho fabril.
O reconhecimento deste episódio histórico contribui para o entendimento do percurso económico de Mangualde e reforça a necessidade de conservar relatos e memórias de trabalhadores e da comunidade que vivenciou a transformação do tecido produtivo ao longo das últimas décadas.