A transição para a menopausa está associada a alterações que vão além dos sintomas ginecológicos clássicos e podem afetar a superfície ocular. Especialistas citados em reportagens recentes alertam que alterações hormonais nessa fase da vida conduzem frequentemente a sintomas incómodos nos olhos, como sensação de areia, ardência, visão embaçada e lacrimejamento.
Por que os olhos mudam na menopausa
O olho adapta-se aos estímulos hormonais e as oscilações típicas da menopausa alteram componentes essenciais do filme lacrimal. Ao contrário da ideia generalizada de que o estrogénio é o principal regulador, a investigação e declarações clínicas referem que a testosterona tem um papel decisivo na manutenção da lágrima e da sua qualidade.
"O olho é um órgão-alvo hormonal. O que sustenta a lágrima na superfície ocular é a testosterona e não o estrogénio, como o senso comum supõe."
Quando a qualidade da camada oleosa do filme lacrimal diminui, as glândulas das pálpebras podem produzir um líquido mais espesso ou com canais obstruídos, favorecendo a evaporação precoce da lágrima. Assim, embora ocorra produção lacrimal, a sua instabilidade impede a protecção adequada da superfície ocular, o que explica queixas frequentes durante a menopausa.
Sintomas e mecanismos
- Sensação de corpo estranho ou "areia" nos olhos;
- Ardência e desconforto persistente;
- Visão embaçada intermitente;
- Lacrimejamento excessivo apesar do olho seco (reflexo compensatório).
O fenómeno do lacrimejamento paradoxal ocorre porque o organismo tenta compensar o ressecamento com maior produção de água, mas essa lágrima aquosa evapora rapidamente por falta da camada lipídica protetora, resultando em persistente sensação de secura e desconforto.
O filme lacrimal: componentes e função
É útil recordar as três camadas que constituem a lágrima e as suas funções principais:
| Camada | Função |
|---|---|
| Aquosa | Hidratação e transporte de nutrientes |
| Mucosa (muco) | Fixa a água à superfície ocular |
| Lipídica (óleo) | Reduz a evaporação e estabiliza o filme lacrimal |
Alterações hormonais, especialmente aquelas que afectam a produção e qualidade da camada lipídica, são centrais para compreender porque tantas mulheres na transição menopausal relatam desconforto ocular.
Para além da identificação dos sintomas, a avaliação por um profissional de saúde ocular é importante para excluir outras causas e orientar medidas terapêuticas adequadas. Em termos de alerta público, estas evidências reforçam que as queixas oculares na meia-idade não devem ser minimizadas e merecem atenção clínica.