A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, refutou esta semana as denúncias sobre a existência de macas retidas no exterior do Hospital de Portimão, classificando como «absolutamente falso» o relatório divulgado por algumas estruturas locais e regionais. Em declarações citadas pela SIC, a governante disse ter estado no local e garantiu que não havia ambulâncias com doentes no interior à espera de entrada.
Apesar do desmentido quanto à retenção de macas, a ministra reconheceu um problema operacional distinto: o tempo de triagem em urgência tem vindo, por vezes, a exceder os prazos considerados habituais, o que está ligado às limitações de espaço nas áreas de emergência. A explicação oficial aponta para a necessidade de aceleração desse processo, trabalho que está a ser coordenado pela Direção Executiva do SNS em articulação com o INEM e as Unidades Locais de Saúde.
"Eu estava lá naquela altura e não é verdade que estavam ambulâncias à porta com doentes lá dentro",
Organismos e associações regionais, incluindo a Federação de Bombeiros do Algarve e a AMAL (Associação de Municípios do Algarve), tinham denunciado a existência de retenção de macas, alerta que a ministra considerou irresponsável. Do lado dos operadores de emergência, foi sublinhado que a retenção física de macas pode comprometer a capacidade de resposta pré-hospitalar.
Contexto sazonal e pontos de pressão
As tensões nas urgências hospitalares do verão foram mencionadas como factor contributivo. A governante destacou que esta época do ano costuma trazer maiores constrangimentos porque parte das equipas estão ausentes por férias, referindo que cerca de 30% das equipas tiram férias neste período. As dificuldades afectam, segundo a nota, sobretudo a região de Setúbal e o Algarve, onde a procura por cuidados de urgência aumenta.
- Ministra nega retenção de macas no Hospital de Portimão.
- Admite atrasos na triagem devido a limitações de espaço nas urgências.
- Verifica-se maior pressão sazonal: cerca de 30% das equipas em férias no verão.
Além das questões de gestão das urgências, Ana Paula Martins referiu ainda uma decisão sobre terapêuticas inovadoras para a doença de Alzheimer: embora aprovadas pela União Europeia, estes medicamentos obtiveram parecer negativo do Infarmed e, por esse motivo, não serão comparticipados pelo SNS. A declaração foi proferida na sessão de abertura da conferência "Doença de Alzheimer: Momento de Agir", na Assembleia da República.
| Assunto | Posição oficial |
|---|---|
| Retenção de macas no Algarve | Negada pela ministra |
| Tempos de triagem | Reconhecidos como problemáticos, em melhoria |
| Medicamentos para Alzheimer | Infarmed deu parecer negativo; sem comparticipação |
As declarações da ministra surgem num contexto de contestação local sobre a capacidade de resposta das urgências e de apelos de profissionais e utentes para soluções que acelerem os circuitos de triagem e aumentem o espaço e os recursos disponíveis. A governante disse estar confiante de que os serviços serão assegurados, incluindo áreas sensíveis como a urgência de ginecologia e obstetrícia, enquanto prosseguem intervenções para reduzir tempos de espera e melhorar fluxos em contexto hospitalar.
As partes envolvidas — autoridades de saúde, bombeiros e comissões de utentes — mantêm visões distintas sobre a dimensão do problema, pelo que a monitorização das medidas anunciadas e a transparência dos relatórios operacionais serão essenciais para avaliar se as respostas implementadas aliviam efetivamente as pressões nas urgências durante os próximos meses.