O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, foi esta quinta-feira a Coimbra para participar como orador convidado nas comemorações do 47.º aniversário do Politécnico de Coimbra, numa deslocação marcada por um protesto sindical que chamou a atenção para a organização dos exames nacionais.
À entrada do Convento de São Francisco, cerca de meia centena de pessoas — maioritariamente elementos da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e outros sindicatos — concentrou-se com megafone e cartazes para entregar uma carta ao ministro e denunciar o que qualificaram de "caos" na execução dos exames do ensino secundário. O objetivo declarado pelos manifestantes foi alertar para problemas que, segundo a organização, não são acidentais.
Durante o acolhimento e à saída da cerimónia, a imprensa questionou o ministro sobre os constrangimentos ligados aos exames nacionais. Fernando Alexandre limitou-se a sublinhar que, nesta fase, há "
milhares de pessoas a trabalhar". Acrescentou que "está toda a gente a trabalhar, está toda a gente comprometida, não há nada mais importante que isto neste momento".
Intervenção do ministro sobre reorganizações institucionais
Na sua intervenção — que ultrapassou os 40 minutos — o ministro aproveitou ainda para clarificar a posição do Governo relativamente a processos de fusão ou integração de instituições de ensino superior e de investigação. Garantiu que não pretende impor reorganizações e defendeu que qualquer integração deve resultar da iniciativa das próprias entidades.
Recordou decisões anteriores tomadas por instituições, referindo integrações anteriores de escolas politécnicas em universidades e a criação de novas universidades como exemplos de processos que surgiram das próprias instituições, não como imposições ministeriais.
- Local: Convento de São Francisco, Coimbra
- Ocasião: 47.º aniversário do Politécnico de Coimbra
- Protesto: cerca de meia centena de participantes, maioritariamente Fenprof
- Declaração do ministro: "milhares de pessoas a trabalhar" sobre os exames
O episódio sublinha a tensão entre o Ministério e os sindicatos sobre a gestão dos exames nacionais, que têm vindo a suscitar críticas por falhas organizativas. Para pais e estudantes, a mensagem do momento foi contraditória: por um lado, a afirmação ministerial de empenho e recursos humanos mobilizados; por outro, a insatisfação pública dos profissionais que acompanham de perto as dificuldades nas escolas.
Nas próximas semanas espera-se que os atores envolvidos — Ministério, sindicatos e instituições de ensino — mantenham contactos e que sejam clarificadas medidas concretas que garantam o normal decurso dos exames e reduzem a incerteza dos alunos no calendário de provas.