A Junta de Freguesia da Misericórdia manifestou apoio à medida da Câmara Municipal de Lisboa que prevê o alargamento das áreas pedonais no Chiado, mas apelou esta semana à execução de um estudo abrangente de mobilidade que assegure soluções compatíveis com a qualidade de vida dos moradores.
Medida aprovada, dúvidas persistem
O anúncio, avançado pelo Diário de Notícias, indica que a intervenção — que arranca em agosto — inclui o alargamento de passeios e a redução de lugares de estacionamento em várias artérias centrais do bairro histórico.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a presidente da Junta, Carla Almeida (PS), afirma que a autarquia local “saúda” a iniciativa, que recupera uma perspetiva defendida pela freguesia desde 2020, nomeadamente através da implementação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), com impactos na qualidade do ar, redução do ruído e na devolução do espaço público às pessoas.
“Trata-se de uma medida que saudamos, por recuperar uma visão que temos vindo a defender há vários anos, desde 2020, através da implementação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), assente na melhoria da qualidade do ar, na redução do ruído e na devolução do espaço público às pessoas.”
O que muda no terreno
- Alargamento de passeios nas ruas: Garrett, Rua Nova do Almada, Calçada do Sacramento, Rua Ivens e Rua Serpa Pinto;
- Formalização da pedonalização integral da Rua Anchieta;
- Colocação de bancos e floreiras amovíveis na Rua do Carmo, já totalmente pedonal.
- Plano de expansão gradual a outras zonas como o Príncipe Real.
Segundo a Câmara, está em curso uma coordenação com os operadores dos parques subterrâneos nas imediações — que totalizam cerca de 1.200 lugares — para garantir alternativas de estacionamento para residentes.
| Rua | Alteração prevista |
|---|---|
| Rua Garrett | Alargamento do passeio |
| Rua Nova do Almada | Alargamento do passeio |
| Calçada do Sacramento | Alargamento do passeio |
| Rua Ivens | Alargamento do passeio |
| Rua Serpa Pinto | Alargamento do passeio |
| Rua Anchieta | Pedonalização integral |
| Rua do Carmo | Bancos e floreiras amovíveis |
Prioridades da Junta
Carla Almeida sublinha que, apesar do apoio, é essencial que as intervenções não se limitem a deslocar os constrangimentos para outras áreas. A Junta exige:
- um estudo de mobilidade amplo e detalhado para a freguesia;
- soluções que salvaguardem residentes, trabalhadores, comerciantes e visitantes;
- resolução urgente dos problemas de circulação na Rua da Misericórdia, especialmente no troço entre o Largo Trindade...
O apelo da Junta reflecte preocupações práticas: a redução de estacionamento e a alteração de fluxos pedonais e rodoviários podem beneficiar a qualidade urbana, mas exigem planeamento para mitigar impactos em transporte de mercadorias, acessos domiciliários e logística dos estabelecimentos comerciais.
Para os moradores, o desafio é conciliar ganhos ambientais e de conforto público com a manutenção de acessibilidades essenciais ao dia a dia. A Câmara e a Junta indicam contactos com operadores privados de parques e a implementação faseada como meios para atenuar perturbações.
Ficará por saber, nas próximas semanas, o conteúdo do estudo de mobilidade pedido pela Misericórdia, o calendário detalhado de intervenções e as soluções de estacionamento efetivamente acordadas com os operadores de parques subterrâneos.