Conflito entre atividade económica e vida residencial leva assunto à Assembleia Municipal
Moradores da Rua Manuel de Arriga, em Alcanena, levaram à última Assembleia Municipal uma contestação veemente contra o funcionamento de um ginásio instalado numa zona habitacional. Segundo os afetados, a atividade tem gerado ruído constante desde as primeiras horas da manhã e pressão sobre o estacionamento, alterando de forma significativa a qualidade de vida na área.
Em representação dos habitantes da zona que se estende até ao Beco Forno da Telha, Maria de Lurdes descreveu a situação como “um inferno constante” e afirmou que os incómodos se verificam “desde as sete da manhã às nove e meia da noite”. Os moradores dizem ter realizado participações junto da Câmara Municipal, da GNR e recolhido provas — fotografias, vídeos e gravações — sem, até agora, obter uma resposta eficaz.
“Tem perturbado imenso a vizinhança”
Os residentes sublinham que não se opõem nem à prática desportiva nem ao desenvolvimento económico local, mas reclamam a falta de planeamento e fiscalização que, defendem, permitiria compatibilizar a atividade do ginásio com a vida numa rua residencial. A contestação centra-se na forma como o licenciamento foi autorizado e nos controlos posteriores à instalação.
O presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, defendeu que o licenciamento foi concedido “no estrito cumprimento da lei” e de acordo com o Plano Director Municipal (PDM), mas admitiu que a localização “é capaz de não ser o melhor sítio para ser localizado”. O autarca acrescentou que o processo relativo ao projeto acústico será reapreciado.
Das posições apresentadas na Assembleia emergem pedidos concretos de intervenção municipal e de avaliação técnica. Entre as medidas em cima da mesa estão a revisão do projeto acústico e a ponderação de lugares de estacionamento reservados a residentes, soluções já admitidas pela Câmara como possíveis respostas ao problema.
- Queixas: ruído contínuo e problemas de estacionamento.
- Provas recolhidas: fotografias, vídeos e gravações apresentadas pelos moradores.
- Resposta da Câmara: reconhecimento da necessidade de reapreciação do projeto acústico e abertura para estudar estacionamento reservado.
O caso em Alcanena coloca em evidência um desafio recorrente nas cidades e vilas portuguesas: a necessidade de conciliar a instalação de novos equipamentos e serviços com a manutenção da qualidade de vida em áreas residenciais. A resolução do conflito dependerá da capacidade técnica da autarquia para reavaliar o impacto acústico e da implementação de medidas que respondam às preocupações dos moradores sem inviabilizar a atividade económica local.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Período indicado de perturbação | 07:00 às 21:30 |
| Duração das queixas | ~2 meses (segundo residentes) |
| Ações em curso | Reapreciação do projeto acústico; estudo de estacionamento reservado |