O triplista Nélson Évora pôs fim à carreira esta quinta-feira, aos 42 anos, num momento simbólico realizado no Estádio Universitário de Lisboa. Com um "último salto" de 16,72 metros, o campeão olímpico em Pequim2008 fechou mais de duas décadas de competição ao mais alto nível, numa cerimónia que encerra um percurso marcado por títulos nacionais e por uma medalha histórica para o atletismo português.
O regresso de Évora à competição tinha-se materializado há poucas semanas com mais um triunfo nos campeonatos nacionais de triplo salto — o 13.º título da carreira — e com uma marca de 16,03 m, a segunda melhor da época em Portugal apenas atrás dos 17,71 m de Pedro Pichardo. A presença neste evento simbólico não nasceu de uma intenção de prolongar a carreira competitiva, explicou o próprio, mas sim da vontade de reencontrar a alegria de saltar após uma paragem de três anos.
Ao justificar a decisão de se retirar, Évora apontou sobretudo questões físicas. "O esforço físico exigido aos 42 anos pesou na decisão", afirmou, lembrando as dificuldades inerentes a trabalhar o corpo para responder às exigências do triplo salto. Apesar disso, deixou claro o sentimento de cumprimento pessoal: "Estou feliz e sinto-me completo".
"Foi um projeto que não foi planeado para ser assim, correu muito bem. Sinceramente esperava saltar mais... foi um desafio muito bom, soube a pouco, mas com a idade que eu tenho tinha que chegar este momento."
O momento mais alto da carreira, destacou Évora, continua a ser a conquista do título olímpico em Pequim2008, a ancorar uma trajetória desportiva que elevou o perfil do atletismo português nas últimas décadas. O percurso inclui consistência nacional e relevância internacional, com lugares de destaque em competições e uma presença contínua entre os melhores triplistas.
O despedimento formal no Estádio Universitário foi organizado como um evento simbólico aberto ao público, permitindo aos adeptos e à comunidade do atletismo verem, pela última vez em competição, o atleta que marcou uma geração. O momento serviu também para sublinhar a passagem de testemunho no triplo salto nacional e as possíveis funções futuras que figuras com a sua experiência poderão desempenhar nas estruturas do atletismo e do desporto nacional.
A carreira de Évora fica, além das marcas e títulos, com o legado de uma medalha olímpica que permanece como referência nacional e com uma imagem de resiliência e longevidade desportiva. A despedida encerra oficialmente uma etapa que terá, nas próximas temporadas, reflexos na formação e nas ambições do triplo salto em Portugal.
| Dados | Valor |
|---|---|
| Idade na aposentação | 42 anos |
| Último salto (evento simbólico) | 16,72 m |
| Marca nos nacionais (recentes) | 16,03 m |
| Títulos nacionais de triplo salto | 13.º |
| Melhor marca nacional no ano (outro atleta) | 17,71 m (Pedro Pichardo) |
- Decisão motivada pelo desgaste físico e pela idade.
- Regresso após três anos de pausa visou recuperar a alegria de competir.
- Legado: medalha olímpica em Pequim2008 e referência do triplo salto português.