A Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL) formalizou 32 contratos com médicos recém-especialistas em Medicina Geral e Familiar, mas nenhum desses profissionais optou por exercer funções no concelho de Alcobaça. A situação foi denunciada pelo vereador socialista Diogo Ramalho, que considerou o resultado «particularmente preocupante» e apelou a uma reflexão séria sobre a capacidade do concelho em atrair e fixar clínicos.
Impacto local e reclamações do executivo municipal
Alcobaça é o segundo concelho mais populoso da área de influência da ULSRL, pelo que a ausência de médicos recém-especialistas entre as opções dos contratados revela um problema com efeitos concretos na acessibilidade e continuidade de cuidados para a população. Na nota de imprensa apresentada pelo autarca, são apontadas várias causas e consequências: condições de atração insuficientes para profissionais de saúde, limitações organizativas das unidades locais e atrasos em obras e adjudicações de infraestruturas essenciais.
"Este é um facto que merece uma reflexão séria"
Diogo Ramalho frisa que a incapacidade de atrair novos médicos é um sinal de que o concelho "não está a oferecer condições suficientemente competitivas para captar e reter estes profissionais". O vereador sublinha, igualmente, que a situação da UCSP Litoral — que serve Alfeizerão e São Martinho do Porto — mantém constrangimentos no seu funcionamento e não existe, por enquanto, perspetiva concreta de transformação em Unidade de Saúde Familiar (USF).
Infraestruturas e organização: fatores que influenciam a atração de clínicos
Entre os fatores apontados pelo autarca estão atrasos em obras e processos de adjudicação. A extensão de saúde da Cela permanece encerrada apesar da reabilitação em curso, e o procedimento para a requalificação, alteração e ampliação do Centro de Saúde de Aljubarrota continua sem adjudicação, segundo a informação divulgada. Essas falhas, acrescenta a nota, limitam a capacidade de modernizar a oferta e de criar condições que valorizem o desempenho profissional.
- ULSRL celebrou 32 contratos com médicos recém-especialistas;
- Nenhum dos profissionais escolheu exercer em Alcobaça;
- Persistem constrangimentos na UCSP Litoral e atrasos em obras de infraestruturas locais;
- Autarca do PS apela a «reflexão séria» e a medidas que melhorem a atração e fixação de profissionais.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Total de contratos com médicos recém-especialistas | 32 |
| Número de médicos a escolher Alcobaça | 0 |
Para os utentes, a consequência imediata pode traduzir-se em listas de espera mais longas, acesso mais difícil à consulta de família e maior pressão sobre unidades de saúde vizinhas. A transformação de unidades de cuidados em modelos mais atrativos, como as USF, é apontada como uma via para estabilizar equipas e valorizar profissionais através de objetivos contratualizados e regimes remuneratórios que premiem desempenho.
O alerta do vereador do PS surge num momento em que a discussão sobre desertificação médica e distribuição de recursos humanos na saúde tem ganho relevo a nível nacional. Em Alcobaça, a ausência de candidatos entre os 32 recém-especialistas contratados pela ULSRL lança dúvidas sobre a eficácia das medidas em curso e sobre o calendário para concluir obras e adjudicações essenciais.
O desfecho coloca pressão sobre os responsáveis regionais e locais de saúde para apresentarem soluções concretas que revertam a tendência e garantam condições de acesso digno aos cuidados primários para os habitantes de Alcobaça e das freguesias servidas pela UCSP Litoral.