Num debate sobre liderança promovido no âmbito do Innov.Club, a coach francesa Katia Verresen apresentou a sua experiência de mais de duas décadas na formação de quadros superiores e destacou a centralidade da saúde mental e da autoconsciência na gestão contemporânea. Verresen, que esteve envolvida na preparação de líderes em empresas como Amazon, Facebook e Airbnb, afirmou que a próxima geração de líderes se distingue por uma maior curiosidade sobre a energia humana e por um maior cuidado com o equilíbrio pessoal.
Quatro pilares que orientam a liderança
A coach explicou que a sua metodologia combina elementos de psicologia e programação neurolinguística, estruturados em quatro pilares: físico, emocional, mental e criativo. Segundo Verresen, a reconexão com estes domínios permite recuperar energia e inspiração, fatores essenciais para que uma estratégia empresarial seja executada com eficácia.
| Pilar | Objetivo |
|---|---|
| Físico | Manter energia e capacidade de execução |
| Emocional | Regulação afetiva e resiliência |
| Mental | Clareza, foco e tomada de decisão |
| Criativo | Geração de ideias e adaptabilidade |
Na sua intervenção, Verresen sublinhou que a presença de uma estratégia brilhante não compensa a exaustão do líder: sem energia, a execução falha. Por isso, defende uma prática constante de regulação energética como parte integrante do desenvolvimento de lideranças.
“Se tudo isto for reconectado, e todos tivermos a capacidade de nos ligar a estes pilares, as pessoas voltam à vida”,
O tema da saúde mental voltou a surgir como um eixo de conversa — incluindo referências a fenómenos como burnout e à chamada síndrome do impostor — e é apontado como uma preocupação crescente entre os novos gestores. Verresen descreve essa tendência como esperançosa: mais autoconsciência e curiosidade sobre a energia humana podem traduzir‑se em lideranças mais flexíveis e mais eficazes.
Implicações para organizações e práticas de gestão
Para as empresas, a proliferação desta perspetiva implica uma adaptação nas práticas de formação e de avaliação de performance: além de competências técnicas e estratégicas, ganha relevância a monitorização do bem‑estar e a oferta de ferramentas que permitam gerir níveis de energia e stress. A mudança cultural sugerida aponta para um modelo de liderança que integra o cuidado pessoal como condição de eficácia organizacional.
- Autoconsciência emerge como requisito essencial antes de qualquer estratégia.
- Regulação da energia é colocada ao nível de prática contínua, não apenas intervenção pontual.
- A nova geração de líderes mostra maior abertura para ferramentas que promovam equilíbrio e resiliência.
Se adotada de forma consistente, esta abordagem pode alterar a forma como empresas em Portugal e internacionalmente formam e acompanham os seus líderes, com impacto direto na prevenção de burnout e na sustentabilidade do desempenho executivo.