A olaria negra de Bisalhães, expressão artesanal associada ao concelho de Vila Real, foi inscrita no registo da União Europeia para indicações geográficas de produtos artesanais e industriais, anunciou a Câmara Municipal. A decisão, emitida pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO), tem efeitos desde 17 de dezembro de 2025 e visa reforçar a proteção jurídica e a promoção desta tradição.
Tradição reconhecida e protegida a nível europeu
O processo de confeção da olaria negra de Bisalhães já constava, desde 29 de novembro de 2016, na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO como elemento que necessita de salvaguarda urgente. A recente inscrição no registo europeu reconhece agora, segundo o município, “o reconhecimento europeu desta expressão singular do património artesanal português”.
“Este registo representa um importante marco na valorização, promoção e salvaguarda da olaria negra de Bisalhães, uma tradição artesanal secular reconhecida pela sua autenticidade, pelo saber-fazer transmitido entre gerações e pela sua forte ligação ao território de origem.”
O ofício é descrito como exigente e fisicamente duro, mantendo processos de fabrico que remontam pelo menos ao século XVI. As peças são modeladas em barro, cozidas em fornos tradicionais abertos na terra, queimando giestas, caruma e carquejas, e depois abafadas com terra escura que lhes confere a característica cor negra.
- Reconhecimento UNESCO: inscrita na lista do Património Cultural Imaterial (29/11/2016).
- Proteção europeia: efeitos legais desde 17/12/2025, decisão emitida pela EUIPO.
- Processos tradicionais: cozedura em fornos de terra, uso de plantas locais para queima e abafamento.
Ao longo das últimas décadas a arte da olaria esteve em risco de extinção e são hoje poucos os oleiros em exercício. No entanto, depois das classificações e do trabalho de salvaguarda, têm sido dados passos na formação de novos artesãos, o que começa a refletir-se numa pequena renovação do ofício.
| Marco | Data |
|---|---|
| Inscrição UNESCO | 29 de novembro de 2016 |
| Efeitos da proteção europeia | 17 de dezembro de 2025 |
| Comunicação pública | 7 de agosto de 2026 |
Para a comunidade local, a proteção europeia cria um quadro jurídico que pode facilitar a promoção turística e a comercialização das peças, ao mesmo tempo que protege o nome e as características associadas ao território de origem. A medida é também um instrumento para apoiar transmissões intergeracionais do saber-fazer e para atrair iniciativas de formação e projetos culturais focados na preservação do ofício.
Em termos práticos, a inscrição no registo da União Europeia destina-se a salvaguardar designações cujas qualidades, reputação ou outras características estejam intrinsecamente ligadas à sua origem geográfica, um regime análogo ao das indicações geográficas aplicadas a produtos alimentares.
Para Vila Real e para Bisalhães, a entrada da olaria negra no mapa das indicações geográficas europeias representa um passo concreto na afirmação da identidade local e na valorização de um património material e imaterial que é simultaneamente elemento cultural e potencial recurso económico.