Educação

ONU alerta: mais de 90 milhões de crianças fora da escola devido a conflitos e crises climáticas

Relatório global do programa Education Cannot Wait revela que 93 milhões de crianças e adolescentes não estão a estudar e que 285 milhões têm a educação afectada por crises; factores como deslocamento forçado, fechamentos de escolas e barreiras financeiras são referidos como determinantes.

ONU alerta: mais de 90 milhões de crianças fora da escola devido a conflitos e crises climáticas
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

Relatório global aponta violência e alterações climáticas como principais barreiras ao ensino

Um levantamento recente coordenado pelo programa Education Cannot Wait (ECW) da ONU mostra que, a nível mundial, 93 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar não frequentam qualquer estabelecimento de ensino. O mesmo estudo conclui que a educação de 285 milhões alunos foi afectada por crises políticas, sociais ou ambientais — um número que cresceu em 21 milhões em apenas 18 meses.

O documento identifica os conflitos armados e os eventos climáticos extremos como os principais factores por detrás desta deterioração do acesso à escola. Em vários países, estes dois tipos de crise actuam em simultâneo, ampliando o impacto sobre a continuidade das aprendizagens.

“Barreiras financeiras e fechamentos de escolas relacionados a conflitos respondem por quase 80% dos casos de saída da escola, sugerindo que as crianças estão parando de estudar não porque as famílias deixaram de valorizar a educação, mas porque as circunstâncias lhes dão poucas alternativas”, diz o comunicado da ONU.

O relatório aponta também para o deslocamento forçado como um factor determinante: análises em países africanos como Burkina Faso, República Centro‑Africana, República Democrática do Congo, Mali e Somália mostram que crianças deslocadas têm progressão escolar mais lenta e maior probabilidade de estarem atrasadas nas aprendizagens. Dados complementares da ACNUR em 2023 referem que 51% das crianças e adolescentes refugiados estiveram fora da escola no ano anterior.

Para os responsáveis por políticas educativas e pelo planeamento escolar, estes números traduzem a necessidade de integrar a gestão de crises e a protecção dos direitos educativos nas estratégias nacionais. Medidas como financiamento de emergência para manter escolas abertas, transporte seguro, e apoio económico às famílias são identificadas como intervenções essenciais para evitar que o abandono escolar por motivos externos se torne permanente.

Impactos práticos e prioridades para os países receptores

Além das consequências humanitárias imediatas, o relatório sublinha efeitos de médio e longo prazo, como o aumento do atraso escolar, a perda de competências básicas e a maior exposição a riscos socioeconómicos entre jovens sem educação formal. Para países que acolhem deslocados ou refugiados, isto implica repensar recursos, formação de professores, e estratégias de inclusão educativa.

  • Manutenção de serviços: manter escolas abertas durante crises e garantir transporte e segurança.
  • Financiamento de emergência: disponibilizar apoios económicos para evitar que famílias retirem crianças da escola.
  • Integração de deslocados: criar percursos educativos flexíveis e programas de recuperação de aprendizagens.

Embora o levantamento tenha uma dimensão global, as conclusões interessam directamente as autoridades nacionais e locais em países europeus, incluindo Portugal, sobretudo no plano da planificação para acolhimento de famílias deslocadas e na preparação face a eventos climáticos extremos que podem interromper ciclos lectivos. O estudo realça ainda a importância de coordenar agências internacionais — como UNICEF e ACNUR — com governos e autarquias para implementar respostas eficazes.

IndicadorValor
Crianças/adolescentes fora da escola93 milhões
Alunos com educação afectada por crises285 milhões (aumento de 21 milhões em 18 meses)
Refugiados sem escola (ACNUR, 2023)51%

Para pais e encarregados de educação, as implicações práticas residem em acompanhar eventuais programas de apoio local e exigir medidas de proteção social que evitam que a vulnerabilidade económica transforme um episódio de crise num abandono definitivo da escola. As autoridades educativas têm, por sua vez, o desafio de planear contingências que garantam a continuidade pedagógica mesmo em contextos de emergência.

O relatório do ECW reforça a necessidade de colocar a educação no centro das respostas humanitárias e climáticas, com financiamento dedicado e mecanismos de coordenação que previnam a perda de anos de aprendizagem em grandes grupos de crianças e jovens.

João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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