No plenário da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), o debate potestativo sobre o custo de vida centrou-se esta tarde nas consequências concretas do aumento de preços para as famílias regionais. A sessão contou com a presença dos secretários regionais da Economia, José Manuel Rodrigues, das Finanças, Duarte Freitas, e da Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido.
Impactos sentido pelas famílias
Os intervenientes destacaram vários indicadores que, segundo o deputado que abriu o debate, revelam uma pressão crescente sobre o orçamento doméstico. Na habitação, apontou-se uma subida de 75% nos preços em quatro anos e um preço médio de um apartamento na Madeira em torno dos 500 000 euros. Como exemplo prático, foi ilustrada a situação de uma família monoparental que aufere o salário mínimo regional de 980 euros: com rendas médias de 900 euros, restariam apenas cerca de 80 euros para demais despesas.
- Mais de 3 000 pessoas aguardam por habitação no Instituto de Habitação da Madeira (IHM).
- Listas de espera na Saúde afectam mais de 100 000 residentes para consultas, exames e cirurgias.
- Inflação e variações de preços em sectores essenciais, segundo dados regionais.
"A Madeira está a pagar"
O discurso sublinhou que a pressão não se limita à habitação. Na área da saúde, foi chamado à atenção o recurso ao sector privado por parte de cidadãos que não podem aguardar meses por diagnósticos e tratamentos, assumindo custos que se somam aos impostos já pagos.
Variação de preços por sectores
Foram citados percentuais recentes para vários rubros essenciais, traduzindo-se em encargos adicionais no dia a dia:
| Categoria | Variação |
|---|---|
| Índice geral (ano) | +5% |
| Transportes (geral) | +11,8% |
| Transportes marítimos | +25% (+75% desde início do ano) |
| Alimentos frescos | +5,1% |
| Contas fixas da habitação (água, luz, gás) | +4,7% |
Também foi referido que o chamado «cabaz» usado pelo Governo Regional sofreu alterações de cálculo que fizeram passar o valor de 82,53 euros para 48,44 euros, medida que suscitou críticas por poder minimizar a perceção da inflação real enfrentada pelos consumidores.
Os argumentos apresentados no plenário reflectem preocupações sobre a sustentabilidade das condições de vida e sobre a capacidade das políticas públicas de responderem às necessidades mais imediatas dos madeirenses. A conjugação de preços elevados na habitação, filas de espera na saúde e aumentos de custos em transportes e alimentação coloca desafios a curto e médio prazo, especialmente para grupos mais vulneráveis.
Do ponto de vista prático, os deputados pediram uma avaliação das medidas regionais de apoio social e habitacional, bem como transparência nas metodologias de cálculo de indicadores de custo de vida. A discussão prossegue na ALM, com expectativa sobre propostas concretas que possam aliviar a pressão sobre famílias com rendimentos mais baixos.