Sociedade

Portugal perde diariamente o equivalente a dezenas de piscinas olímpicas devido a fugas e ineficiências

Relatórios da ERSAR mostram que a água não faturada em baixa caiu ligeiramente na última década, mas fugas continuam a representar a maioria das perdas, com vários concelhos a perder mais de 70% do volume antes de chegar aos consumidores.

Portugal perde diariamente o equivalente a dezenas de piscinas olímpicas devido a fugas e ineficiências
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

Perdas persistentes expostas pela crise em Almada

A recente escassez de água em Almada trouxe para o debate público um problema estrutural: a gestão das redes de distribuição em Portugal Continental continua a evidenciar perdas significativas. Segundo os relatórios da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a percentagem de água não faturada no serviço em baixa diminuiu apenas 3,6 pontos percentuais na última década.

O que dizem os números

Os dados oficiais mostram que a parcela de água que é distribuída mas não chega a ser cobrada — principal indicador das fugas e outras ineficiências na fase de distribuição — passou de 30,1% em 2015 para 26,5% em 2024. A maior parte dessa água não faturada — cerca de 70% — resulta de fugas provocadas por rutura da rede.

Ano Água não faturada (%)
2015 30,1%
2024 26,5%

Consequências e pontos críticos

Apesar da melhoria estatística, a realidade local é desigual: há municípios onde mais de 70% da água se perde antes de chegar ao consumidor, um sinal claro de redes envelhecidas e de investimento insuficiente em reabilitação e deteção de fugas. A perda elevada implica custos económicos, desperdício de recurso hídrico e maior vulnerabilidade em períodos de seca, acentuando o risco de racionamento e cortes no abastecimento como os verificados ultimamente.

Medidas e desafios

A redução das perdas exige intervenções técnicas e planeamento financeiro: renovação de condutas, instalação de contadores e telemetria, monitorização contínua e programas de deteção e reparação de fugas. Também são necessárias políticas regulatórias e tarifárias que incentivem a eficiência e garantam transparência na prestação do serviço.

Conclusão

Os números divulgados pela ERSAR revelam uma melhoria modesta na última década, mas não ocultam um problema persistente que tem consequências imediatas para os consumidores e para a resiliência do abastecimento. A crise de abastecimento em Almada funcionou como um alerta público: reduzir as perdas não é apenas uma questão técnica, é uma prioridade nacional de gestão de recursos.

  • Dados-chave: redução de 3,6 pontos percentuais entre 2015 e 2024.
  • Origem das perdas: cerca de 70% da água não faturada deve-se a fugas.
  • Desigualdade territorial: concelhos com mais de 70% de perdas continuam a existir.
Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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