Um espaço de apoio para quem serviu
O Núcleo de Tomar da Liga dos Combatentes afirma-se como um local de escuta e acompanhamento para antigos militares que enfrentam o declínio das capacidades físicas, a doença e a solidão. À cabeça deste núcleo está o Tenente-Coronel Luís Garcia, de 58 anos, que, após quase 40 anos de serviço activo, subscreve uma visão pragmática da associação: não uma mera casa de recordações, mas uma instituição que presta respostas concretas às necessidades dos ex-combatentes e das suas famílias.
A sua trajectória pessoal — marcada pelo cumprimento do serviço militar obrigatório, carreira no Exército, passagens por missões internacionais no Kosovo e no Afeganistão, funções na logística e no Estabelecimento Prisional Militar de Tomar — fundamenta uma abordagem centrada na solidariedade entre quem passou pela vida militar. Quando passou à reserva quis aproximar-se da família, mas manteve um vínculo activo com a comunidade de antigos militares, assumindo posteriormente a presidência do núcleo local.
"Às vezes sonho que ainda estou na tropa"
Luís Garcia rejeita a ideia de que a Liga seja apenas um espaço de saudade. Para ele, a prioridade é organizar apoio prático: acompanhamento em situações de doença, resposta a carências económicas e combate ao isolamento social. Esse trabalho é possível graças à acção de voluntários, muitos dos quais continuam a servir a comunidade depois de terminada a carreira militar.
Articulação com redes sociais e voluntariado
O núcleo articula-se com assistentes sociais e outras entidades locais para identificar e responder às necessidades dos antigos combatentes e das suas famílias. A cooperação com serviços sociais permite encaminhamentos e soluções mais adequadas, evitando que situações de vulnerabilidade fiquem sem resposta. O presidente sublinha que a intervenção exige persistência e proximidade, não apenas actos simbólicos.
- Acompanhamento de antigos militares e famílias em situação de doença;
- Intervenção em casos de isolamento e solidão;
- Articulação com serviços sociais locais para apoio técnico e encaminhamento;
- Voluntariado como pilar para manter e ampliar o trabalho comunitário.
Organização e prioridade estratégica
Na liderança do núcleo, Luís Garcia assume que não procura protagonismo pessoal: a sua ambição é garantir que a experiência acumulada ao longo da carreira continue a ser útil. A meta consiste em que o trabalho coletivo seja aquilo que fica na memória, mais do que o percurso individual. O presidente enfatiza a importância dos voluntários e da equipa local como motor da actividade de apoio.
| Serviço | Descrição |
|---|---|
| Apoio social | Acompanhamento de casos de doença, fragilidade e carências económicas. |
| Escuta | Espaço de proximidade para partilha de experiências e identificação de necessidades. |
| Encaminhamento | Articulação com assistentes sociais e outras entidades para soluções concretas. |
O núcleo de Tomar ilustra um desafio maior: como manter viva a memória colectiva dos que serviram, garantindo ao mesmo tempo cuidados e suporte prático na transição para a idade avançada e em situações de vulnerabilidade. A resposta passa por reforçar o voluntariado, estreitar laços com os serviços públicos e comunitários e preservar a missão de apoio que a Liga pretende oferecer.