A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 81% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano, segundo previsão divulgada em 9 de julho. Em comparação, a estimativa divulgada em junho situava a hipótese em 63% para um evento intenso entre novembro e janeiro.
O que a NOAA refere e a duração prevista
A agência confirmou que o fenómeno climático — caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Pacífico equatorial —
"O El Niño se intensificou no último mês"e considera que o episódio pode figurar entre os mais intensos desde o início dos registos, em 1950. A NOAA prevê que o evento se prolongue, pelo menos, até ao início do outono austral, estimando continuidade até abril do próximo ano.
Impactos esperados e limites da previsão
Um El Niño mais forte eleva a probabilidade de ocorrência dos impactos mais típicos do fenómeno, mas não garante automaticamente consequências mais severas em todas as regiões. Entre os efeitos mais frequentemente associados destacam-se:
- alterações nos padrões de precipitação;
- ondas de calor mais frequentes ou intensas;
- secas regionalizadas e aumento da variabilidade meteorológica.
Para o território brasileiro, por exemplo, a NOAA e especialistas meteorológicos apontam tendência para menor precipitação nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, enquanto a região Sul pode registar aumento das chuvas. Estas projeções sublinham a necessidade de preparação por parte das autoridades para gerir riscos associados à escassez de água, incêndios florestais e eventos extremos.
Dados relevantes
| Item | Valor |
|---|---|
| Probabilidade de El Niño muito forte (out–dez) | 81% |
| Estimativa anterior (junho) | 63% |
| Período de referência dos registos | Desde 1950 |
| Duração prevista | Até, pelo menos, abril do próximo ano |
Consequências e desafios de gestão
Embora a previsão não determine impactos locais específicos para Portugal, a subida significativa da probabilidade de um El Niño muito forte reforça a importância do planeamento adaptativo em setores como a agricultura, a gestão hídrica e a proteção civil. Os cenários associados aumentam a incerteza sazonal e podem exigir medidas preventivas, nomeadamente:
- reforço da monitorização hidrometeorológica;
- planos de contingência para incêndios e secas;
- coordenação entre serviços de emergência e autoridades regionais.
Especialistas salientam, ainda, que o aquecimento global de fundo amplifica a frequência e intensidade de ondas de calor, pelo que a combinação de tendências climáticas de longo prazo com um El Niño intenso tende a agravar riscos sanitários e ambientais. A monitorização contínua das previsões e a divulgação de avisos públicos adequados serão determinantes para atenuar impactos nas populações e nos setores económicos mais vulneráveis.
Esta nova avaliação da NOAA deverá ser integrada nas atualizações nacionais e europeias de previsões climáticas e serve como alerta para reforçar a preparação institucional face a uma estação com maior probabilidade de condições meteorológicas extremas.