Ambiente

Probabilidade de um El Niño muito forte sobe para 81% e aumenta risco de padrões climáticos extremos

A NOAA elevou para 81% a hipótese de um El Niño muito intenso entre outubro e dezembro; a agência alerta que o fenómeno já se intensificou e pode persistir até abril do próximo ano, com maior probabilidade de eventos extremos em várias regiões.

Probabilidade de um El Niño muito forte sobe para 81% e aumenta risco de padrões climáticos extremos
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 81% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro deste ano, segundo previsão divulgada em 9 de julho. Em comparação, a estimativa divulgada em junho situava a hipótese em 63% para um evento intenso entre novembro e janeiro.

O que a NOAA refere e a duração prevista

A agência confirmou que o fenómeno climático — caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Pacífico equatorial —

"O El Niño se intensificou no último mês"
e considera que o episódio pode figurar entre os mais intensos desde o início dos registos, em 1950. A NOAA prevê que o evento se prolongue, pelo menos, até ao início do outono austral, estimando continuidade até abril do próximo ano.

Impactos esperados e limites da previsão

Um El Niño mais forte eleva a probabilidade de ocorrência dos impactos mais típicos do fenómeno, mas não garante automaticamente consequências mais severas em todas as regiões. Entre os efeitos mais frequentemente associados destacam-se:

  • alterações nos padrões de precipitação;
  • ondas de calor mais frequentes ou intensas;
  • secas regionalizadas e aumento da variabilidade meteorológica.

Para o território brasileiro, por exemplo, a NOAA e especialistas meteorológicos apontam tendência para menor precipitação nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, enquanto a região Sul pode registar aumento das chuvas. Estas projeções sublinham a necessidade de preparação por parte das autoridades para gerir riscos associados à escassez de água, incêndios florestais e eventos extremos.

Dados relevantes

Item Valor
Probabilidade de El Niño muito forte (out–dez) 81%
Estimativa anterior (junho) 63%
Período de referência dos registos Desde 1950
Duração prevista Até, pelo menos, abril do próximo ano

Consequências e desafios de gestão

Embora a previsão não determine impactos locais específicos para Portugal, a subida significativa da probabilidade de um El Niño muito forte reforça a importância do planeamento adaptativo em setores como a agricultura, a gestão hídrica e a proteção civil. Os cenários associados aumentam a incerteza sazonal e podem exigir medidas preventivas, nomeadamente:

  • reforço da monitorização hidrometeorológica;
  • planos de contingência para incêndios e secas;
  • coordenação entre serviços de emergência e autoridades regionais.

Especialistas salientam, ainda, que o aquecimento global de fundo amplifica a frequência e intensidade de ondas de calor, pelo que a combinação de tendências climáticas de longo prazo com um El Niño intenso tende a agravar riscos sanitários e ambientais. A monitorização contínua das previsões e a divulgação de avisos públicos adequados serão determinantes para atenuar impactos nas populações e nos setores económicos mais vulneráveis.

Esta nova avaliação da NOAA deverá ser integrada nas atualizações nacionais e europeias de previsões climáticas e serve como alerta para reforçar a preparação institucional face a uma estação com maior probabilidade de condições meteorológicas extremas.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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