Presidente da FPF distingue voz pessoal de cargo institucional
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, abordou hoje a polémica gerada pela divulgação de áudios em que são proferidas críticas à arbitragem nacional, numa circunstância posterior à conquista da Supertaça pelo F. C. Porto frente ao Torreense (1-0). O líder federativo procurou, numa intervenção pública, separar de forma clara o plano pessoal do papel que exerce oficialmente.
Na sua declaração, Proença referiu que as conversas divulgadas — que, segundo afirmou, foram “truncadas” e “distorcidas” — não podem ser confundidas com as posições formais da presidência da FPF. Afirmou ainda que não aceitará que a dignidade do cidadão Pedro Proença seja posta em causa e deixou a porta aberta à via judicial contra quem tenha promovido manipulações.
"Em momento nenhum opiniões do cidadão Pedro Proença ditas num determinado momento e circunstância se podem confundir com o papel atual e opiniões formais do presidente da Federação."
O presidente sublinhou igualmente o empenho da FPF no relacionamento com os árbitros, lembrando que, ainda no sábado, houve um encontro onde ficou evidente a intenção da federação de investir nas melhores condições para o corpo de arbitragem, com o objetivo de assegurar uma época de alta qualidade desportiva.
Sobre a eventual imputação de outros intervenientes no caso, nomeadamente a referência a Luciano Gonçalves, Proença evitou especular e declarou que não comentaria "cenários hipotéticos", destacando a confiança na independência dos órgãos competentes.
- Clareza institucional: distinção entre opiniões pessoais e decisões oficiais.
- Acção legal: possibilidade anunciada de recurso judicial face a manipulações.
- Apoio aos árbitros: reafirmação do investimento da FPF nas condições para a arbitragem.
| Assunto | Declaração principal |
|---|---|
| Áudios divulgados | Considerados "truncados" e "distorcidos" |
| Separação de papéis | Opiniões de cidadão não correspondem a posições institucionais |
| Ações futuras | Possibilidade de atuação judicial; não comentar cenários sobre terceiros |
A divulgação destes áudios surge no arranque de uma temporada que, nas palavras de Proença, está preparada para ser intensa: "serão dez meses muito intensos, em que os grandes interesses desportivos estarão sempre à frente de tudo isto". A reacção do presidente marca assim um esforço por estabilizar o discurso institucional da FPF perante uma discussão pública que promete prolongar-se, sobretudo se houver desenvolvimentos judiciais ou novas divulgações.
Num momento em que o futebol português se prepara para a nova época, a gestão desta crise — e a forma como a ligação entre o que é dito em privado e o que representa o cargo será tratada pelos órgãos competentes — terá impacto na perceção pública sobre a liderança da federação e sobre a confiança nos mecanismos disciplinares e de avaliação da arbitragem.