Plataforma pretende reforçar deteção precoce mantendo dados na região
Um consórcio liderado pela tecnológica regional Vipa.pt lançou o projecto SmartHealth, uma plataforma de Inteligência Artificial destinada a apoiar profissionais de saúde no rastreio do cancro da mama e do cancro da próstata. O projecto foi aprovado no âmbito do aviso da linha PRR — Reindustrializar Região Autónoma da Madeira, com um investimento elegível global de 3 milhões de euros e uma duração prevista de 24 meses.
A solução será desenvolvida em regime on-premises, o que significa que todo o processamento de dados ocorrerá em solo madeirense, sem recurso a serviços de cloud pública. Esta opção foi justificada pela empresa como forma de responder às exigências de proteção de dados clínicos e aos objetivos de soberania da informação na Região.
- Áreas de atuação: análise de imagem mamográfica, estratificação de risco no cancro da próstata e geração assistida de relatórios clínicos.
- Parceiros: Universidade da Madeira e Programa de Investigação em Cancro da Mama da Fundação Champalimaud.
- Objetivo: apoiar a decisão clínica, não substituir profissionais de saúde.
A componente de análise mamográfica pretende produzir indicadores de risco e sinalizar casos prioritários para revisão humana. No rastreio do cancro da próstata, a plataforma combinará dados como níveis de PSA e outras variáveis clínicas para estratificação de risco. Outra funcionalidade prevista é a assistência na produção de relatórios clínicos através de modelos de linguagem a correr localmente.
“Não estamos a construir uma tecnologia que substitui o médico. Estamos a construir uma ferramenta que lhe devolve tempo e lhe dá mais um instrumento de deteção precoce, num contexto em que cada dia conta”, afirmou Pedro Paixão, diretor executivo da Vipa.pt, citado em comunicado.
Para a população madeirense, o projeto pode traduzir-se em triagens mais rápidas e numa priorização mais eficaz de casos suspeitos, algo particularmente relevante face à prevalência das patologias visadas. A execução local do processamento de dados também tem implicações práticas: reduz a necessidade de transferir informação sensível para fora da Região e pode facilitar o cumprimento de normas de proteção de dados aplicáveis a informação clínica.
A Vipa.pt sublinha que o projeto só foi possível graças à combinação de financiamento do PRR e do conhecimento científico aportado pela Universidade da Madeira e pela Fundação Champalimaud. A parceria entre entidades regionais e nacionais visa ainda reforçar a capacidade tecnológica e de investigação local, com impacto potencial nos serviços de saúde e na economia digital da Região.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Financiamento elegível | 3 milhões de euros |
| Duração prevista | 24 meses |
| Desenvolvimento | On-premises (processamento local) |
| Parceiros | Vipa.pt; Universidade da Madeira; Fundação Champalimaud |
| Focos clínicos | Cancro da mama e cancro da próstata |