Apelo à manutenção da traça na Praça da Sé
O presidente do Turismo do Porto e Norte (RTPN), Luís Pedro Martins, manifestou publicamente a sua preocupação relativamente às obras no edifício que albergou o antigo Café Chave D’Ouro, na Praça da Sé, em Bragança. O imóvel, que no passado serviu como sede do Clube de Bragança, foi adquirido por um novo proprietário que procedeu à demolição interior, mantendo apenas a fachada principal e a que dá para a Rua dos Combatentes da Grande Guerra.
Na intervenção pública, Martins frisou a importância de conservar a aparência e a memória de construções centenárias que são parte da vivência coletiva da cidade. Salientou que retirar a essência destes locais reduz a sua mais-valia e compromete a autenticidade, um fator cada vez mais valorizado por visitantes e residentes.
“Tirar a essência destes lugares retira a nossa mais-valia, que é a autenticidade.”
As declarações do presidente do RTPN sublinham não apenas uma questão estética, mas também um argumento económico e cultural: edifícios históricos bem preservados podem reforçar a atratividade urbana e contribuir para o turismo local. Martins afirmou que está curioso quanto ao projeto que irá substituir o interior do imóvel, mas que mantém expectativas por se tratar de um edifício com significado para várias gerações.
- Local: Praça da Sé, Bragança
- Antiga função: Café Chave D’Ouro e sede do Clube de Bragança
- Intervenção atual: demolição interior; mantidas duas fachadas
| Item | Descrição |
|---|---|
| Edifício | Antigo Café Chave D’Ouro (sede do Clube de Bragança) |
| Localização | Praça da Sé / Rua dos Combatentes da Grande Guerra |
| Estado atual | Fachadas mantidas; interior demolido |
Para os habitantes de Bragança, a preservação de elementos patrimoniais envolve assuntos práticos: conservação do caráter urbano histórico, manutenção de memórias coletivas e impacto nas dinâmicas comerciais da zona central. Intervenções que preservem fachadas mas alterem profundamente o interior levantam, frequentemente, debates sobre a autenticidade do património e sobre os critérios a aplicar em projetos de reabilitação.
O alerta do responsável do RTPN surge num contexto em que vários municípios procuram equilibrar renovação urbana e salvaguarda do património. Em Bragança, onde a história e a paisagem urbana se cruzam com a vida quotidiana dos residentes, as decisões sobre estes imóveis serão seguidas de perto por cidadãos, comerciantes e agentes culturais, que esperam ver salvaguardados elementos que ligam gerações à Praça da Sé.
Perante a intervenção em curso, permanece a expectativa quanto ao projeto final e às soluções que serão adotadas para conciliar uso moderno e conservação da identidade arquitetónica do centro histórico.