Saúde

Revisões científicas não associam uso de telemóveis ao cancro cerebral, aponta novo estudo

Uma síntese de 13 revisões encomendadas pela OMS conclui não haver evidência de relação entre exposição a ondas de telemóvel e cancro no cérebro ou na cabeça, apesar de lacunas por explorar.

Revisões científicas não associam uso de telemóveis ao cancro cerebral, aponta novo estudo
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Resumo das conclusões

Uma análise recente, publicada no New Zealand Medical Journal, examinou as conclusões de 13 revisões científicas encomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e concluiu que não existem provas convincentes de que as ondas emitidas por telemóveis provoquem can***cro no cérebro, na cabeça ou no pescoço. A revisão dedicada ao tumor cerebral considerou 63 estudos publicados entre 1994 e 2022 e não identificou associação estatística significativa entre utilização de telemóveis e risco de desenvolvimento destas neoplasias.

O que foi analisado

As revisões, encomendadas em 2019 com o objetivo de compilar o estado da evidência sobre efeitos das ondas eletromagnéticas na saúde, abordaram várias potenciais relações: cancro cerebral, outros tumores da cabeça e do pescoço, e efeitos em populações mais sensíveis, como crianças. A síntese publicada resume as conclusões dessas 13 avaliações independentes, antes da OMS finalizar uma análise oficial.

Resultados principais

  • Não foi encontrada ligação entre uso de telemóveis e risco de cancro do cérebro.
  • Os resultados mantêm-se para utilizadores de maior frequência e para quem usa telemóveis há mais de uma década.
  • Também não foram detectadas provas de relação entre exposição a emissões de rádio/televisão e leucemia pediátrica nas revisões analisadas.

Dados em resumo

ElementoValor
Revisões analisadas13
Estudos sobre cancro cerebral63
Período dos estudos1994–2022

Apesar da ausência de associação identificada, os autores sublinham que persistem questões por responder sobre os efeitos a longo prazo e sobre exposições cumulativas a diferentes fontes de radiação não ionizante. Em termos metodológicos, parte das investigações avaliadas varia em qualidade e desenho, e nem todas as lacunas científicas foram definitivamente preenchidas.

Consequências e perceção pública

Para a população, a síntese traz um sinal de tranquilidade, ao reforçar que a evidência disponível até agora não aponta para um aumento do risco de cancro cerebral associado aos telemóveis. Para investigadores e autoridades de saúde pública, por outro lado, mantém-se a necessidade de monitorização contínua e de investigação adicional — nomeadamente sobre exposições muito prolongadas e sobre possíveis efeitos em grupos específicos.

O que fica por saber

Os autores recomendam mais estudos de seguimento a longo prazo e com melhor quantificação da exposição. Até que existam conclusões conclusivas sobre todas as incógnitas, as organizações de saúde poderão continuar a acompanhar a investigação e a atualizar orientações conforme surjam novos dados.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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