Num momento em que a digitalização altera rapidamente a relação entre cidadãos e serviços de saúde, surge a chamada para uma abordagem integrada de todo o ecossistema do seguro de saúde. A intervenção de Rui Dinis, CEO da Planicare, no Fórum Nacional de Seguros 2026 centrou-se na ideia de que a simples adoção de ferramentas digitais não é suficiente: é preciso que todos os intervenientes trabalhem de forma coordenada para que o utente perceba o processo como simples e fluido.
Da teleconsulta à prescrição automática: o cliente no centro
Rui Dinis enumerou exemplos concretos do que já faz parte da realidade: medicina online, teleconsulta e prescrições enviadas para o telemóvel. Essas mudanças promovem uma experiência muito mais digital do que anteriormente, mas, sublinhou, só resultam se o fluxo entre os atores for articulado.
“O ecossistema de saúde não é só uma ligação entre uma seguradora e um prestador. A pessoa segura, como é óbvio, é parte deste ecossistema.”
A afirmação coloca o segurado no centro do processo e aponta para a necessidade de interoperabilidade entre sistemas e de processos que eliminem atritos — por exemplo, entre pedidos de autorização, emissão de apólices e a prestação efectiva do acto clínico.
Intervenientes e responsabilidades
Na sua análise, Dinis enumerou os vários agentes que influenciam a experiência final do cliente: a seguradora, o prestador de cuidados, o mediador/corretor, a empresa contratante do seguro e o médico responsável por prescrições ou autorizações. Para que a experiência seja percebida como simples, todos esses elos têm de funcionar de forma coordenada.
- Seguradoras — devem garantir processos digitais acessíveis e integração com prestadores.
- Prestadores — precisam de sistemas compatíveis para teleconsulta e envio de prescrições.
- Mediadores/corretores — têm papel na emissão e explicação da apólice ao cliente.
- Empresas contratantes — influenciam a adesão e a forma como o seguro é usado.
- Utente — parte activa e destinatária final da experiência.
| Interveniente | Função no ecossistema |
|---|---|
| Seguradora | Gestão de apólices e autorizações |
| Prestador | Prestação clínica e emissão de prescrições |
| Mediador/Corretor | Intermediação e esclarecimento ao cliente |
| Empresa | Contratação colectiva e adesão |
| Utente | Utilizador final da experiência digital |
O desafio colocado por Dinis passa também pela necessidade de projetar processos que funcionem mesmo quando o utilizador não percebe o que está a acontecer, isto é, uma experiência que esconda a complexidade técnica e entregue um resultado previsível ao utente.
As implicações práticas são claras: as empresas do sector deverão investir em interoperabilidade, fluxos automatizados e formação de profissionais (incluindo mediadores), enquanto reguladores e entidades públicas poderão ter um papel facilitador ao promover normas e padrões que tornem a integração mais simples. Sem essa articulação, a digitalização corre o risco de fragmentar serviços em vez de os aproximar do cidadão.
Em suma, a transição para um seguro de saúde mais digital exige mais do que tecnologia: reclama um redesenho das interacções entre todos os atores para que a promessa de uma experiência simples e eficiente chegue, de facto, ao segurado.