Controvérsia sobre funcionamento do sistema de chamadas do INEM
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) assegurou que o novo sistema de gestão de ocorrências dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) colapsou numa situação ocorrida esta sexta-feira, o que terá obrigado os profissionais a recorrerem à triagem em papel. Em contrapartida, o próprio INEM classificou a narrativa como "categoricamente falsa", afirmando que os registos clínicos e operacionais foram efetuados pelos sistemas informáticos em utilização.
Segundo o presidente do STEPH, Rui Lázaro, o novo software, instalado em junho, tem vindo a criar problemas de desempenho: períodos de lentidão, chamadas em espera e demora no acionamento de meios. O dirigente sindical referiu que chegaram a acumular-se 57 chamadas em fila de espera proveniente da transferência da central 112, gerida pela PSP, para o INEM.
"Já houve períodos em que o 'software' esteve mais lento e dificultava ainda mais. Hoje chegou a colapsar, com os técnicos a terem de fazer as triagens em papel", disse Rui Lázaro à agência Lusa.
Em resposta, o INEM contrapôs que não existiu qualquer situação que obrigasse ao recurso à triagem manual, reiterando que os processos clínicos e operacionais foram registados eletronicamente. O instituto acrescentou que dispõe de um mecanismo de call back para recuperar chamadas interrompidas ou não atendidas à primeira tentativa, de modo a garantir o seguimento e contacto com os cidadãos.
Para reforçar o atendimento telefónico face aos constrangimentos sentidos, o STEPH informou que foi tomada a decisão de encerrar temporariamente uma ambulância em Lisboa e deslocar a sua tripulação — dois técnicos de emergência pré-hospitalar — para o CODU. O INEM confirmou a deslocação dos dois profissionais, referindo, porém, que se tratou de uma medida de gestão operacional destinada a reforçar o serviço e não como reconhecimento de um colapso do sistema.
- Instalação: novo sistema nos CODU em funcionamento desde junho.
- Acusações: sindicato aponta lentidão, chamadas em espera e triagens em papel.
- Resposta do INEM: nega colapso e afirma que registos foram efetuados por sistemas informáticos; existe sistema de call back.
- Medida operacional: dois técnicos deslocados temporariamente para o CODU de Lisboa.
O episódio coloca à vista tensões entre as equipas operacionais e a administração do INEM sobre a transição para novas plataformas tecnológicas. Se por um lado o sindicato sublinha riscos potenciais para a prontidão e para a segurança dos utentes, por outro o instituto sublinha mecanismos de contingência e garante funcionamento dos registos. A divergência de versões ressalta a necessidade de clarificação técnica sobre a estabilidade do software, processos de monitorização e linhas de reporte de incidentes.
| Elemento | Declaração do STEPH | Declaração do INEM |
|---|---|---|
| Estado do sistema | Colapsou, obrigando a triagens em papel | "Categoricamente falso"; sistemas em uso processaram registos |
| Chamadas em espera | Chegaram a ser 57 | Dispõe de call back para recuperação e seguimento |
| Recursos humanos | Encerramento temporário de uma ambulância para reforço | Confirma deslocação de dois técnicos como medida operacional |
Perante a divergência, permanecem questões práticas por esclarecer: que registos concretos documentam a fila de chamadas apontada pelo sindicato; quais os relatórios de desempenho do software desde a sua implementação em junho; e que protocolos de mitigação de falhas estão formalmente estabelecidos entre a central 112 e o INEM. Estas respostas são determinantes para avaliar se houve impacto real na prestação de socorro e se serão necessárias correções técnicas ou reforços de pessoal para prevenir reincidências.
Enquanto não forem prestados esclarecimentos adicionais e auditáveis por parte das entidades envolvidas, o episódio alimenta preocupação entre profissionais e cidadãos sobre a robustez dos sistemas que gerem o atendimento de emergência no país. A tensão entre relato sindical e a versão oficial sublinha a importância de transparência e de mecanismos de verificação independentes em sistemas críticos para a segurança pública.