Lisboa tem registado episódios em que contentores e papeleiras são alvo de remexidas e, por vezes, despejados na via pública por pessoas que procuram embalagens abrangidas pelo sistema de depósito e reembolso “Volta”. A situação foi reconhecida pela Câmara Municipal de Lisboa, que diz acompanhar o fenómeno e analisar respostas em conjunto com os responsáveis pelo sistema.
O que se passa nas ruas
Desde a entrada em funcionamento do sistema, em 10 de abril, têm surgido queixas de juntas de freguesia acerca do aumento de lixo espalhado junto a contentores. Segundo a autarquia, há registos em várias zonas da cidade de casos em que recipientes foram remexidos ou mesmo despejados com o objetivo de recolher embalagens passíveis de reembolso de 10 cêntimos.
A CML descreve este momento como uma fase inicial de implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) e sublinha que é expectável um período de adaptação por parte da população e dos operadores envolvidos. Ainda assim, admite que a higiene urbana tem sido afetada em pontos concretos.
“A Câmara Municipal de Lisboa (CML) está ciente desta situação, a qual tem vindo a acompanhar com atenção.”
O SDR pretende aumentar a recolha e a reciclagem de embalagens (plástico, metal e alumínio inferiores a três litros), mas a prática de vasculhar o lixo em busca do valor do depósito está a gerar um conflito entre o objetivo ambiental do sistema e a manutenção do espaço público em condições de limpeza aceitáveis.
- Impactos observados: contentores remexidos, papeleiras e sacos espalhados, aumento de sujidade em zonas urbanas.
- Atores envolvidos: CML, juntas de freguesia, entidades gestoras do SDR e cidadãos que devolvem embalagens.
- Resposta prevista: monitorização conjunta e avaliação de medidas para reduzir efeitos na higiene urbana.
Para contextualizar, o sistema entrou em vigor a 10 de abril e cobre embalagens de utilização única até três litros, com mais de 2 500 pontos para devolução em Portugal continental, Açores e Madeira. O valor do depósito por embalagem é de 0,10 €, destinado a incentivar a devolução e a reciclagem.
| Elemento | Valor / Informação |
|---|---|
| Início do SDR “Volta” | 10 de abril |
| Reembolso por embalagem | 0,10 € |
| Pontos de devolução | mais de 2 500 |
A adopção do SDR visa metas ambientais claras, mas a ocorrência de contentores remexidos levanta a necessidade de medidas complementares para proteger a limpeza do espaço público. Entre as opções que a Câmara pode avaliar estão intervenções de informação e sensibilização, alterações logísticas na recolha de resíduos, reforço da vigilância em locais críticos ou ajustes na distribuição e funcionamento dos pontos de devolução.
Enquanto se cataloga o fenómeno e se ponderam respostas, a CML garante que manterá comunicação com as entidades que gerem o sistema para, caso necessário, implementar ações que minimizem os impactos observados na higiene urbana e no uso do espaço público. Para os lisboetas, a prioridade imediata é que a introdução do SDR não se traduza numa degradação perceptível das ruas e zonas de contenção de resíduos.