Em Luanda, organizações da sociedade civil e ativistas realizaram uma vigília de solidariedade na Biblioteca 10Padronizada onde reiteraram a acusação de que o sistema judicial está a ser usado de forma alegadamente abusiva para perseguir, intimidar e condenar cidadãos críticos do Governo. A iniciativa integrou um conjunto de ações cívicas desenvolvidas em várias províncias, com o objetivo de manter a atenção pública sobre os detidos que os movimentos consideram presos políticos.
Acusações e reivindicações
Os participantes afirmaram que, sobretudo em períodos pré-eleitorais, há uma tendência para silenciar vozes dissidentes, comprometendo a participação cívica. O porta-voz da reunião e da Sociedade Civil Contestatária, Geraldo Dala, criticou a instrumentalização da justiça para intimidar quem pensa de forma diferente e pediu a libertação dos detidos considerados políticos.
"Estamos aqui para exigir que estes nossos irmãos sejam libertados e também para exigir que a justiça deixe de ser usada como instrumento de perseguição contra aqueles que pensam de forma diferente, que criticam o Governo e que exercem uma cidadania activa."
Também presente, o líder do Movimento Social para a Mudança, Francisco Teixeira, sublinhou a persistência da mobilização cívica com um objetivo claro de alternância política nas próximas eleições gerais previstas para 2027, afirmando que a sociedade continuará empenhada na mudança.
Formas de ação e pedidos
De acordo com os organizadores, as vigílias têm a dupla função de denunciar alegadas violações das liberdades fundamentais e de pressionar pela libertação de todos os presos tidos como políticos. Entre as reivindicações apresentadas destacam-se:
- A libertação dos detidos considerados políticos;
- O fim da alegada instrumentalização do sistema judicial;
- Garantias de participação cívica sem intimidação no período pré-eleitoral.
A iniciativa foi apresentada como parte de uma série de ações cívicas que visam não só visibilidade para os detidos, mas também afirmar a capacidade da sociedade civil de mobilizar-se em defesa de um processo político mais plural.
Ativismo e consequências políticas
Nas intervenções, líderes e ativistas lembraram um histórico de contestação e procuraram ligar a mobilização atual a um objetivo político mais amplo: a mudança de poder nas eleições de 2027. Francisco Teixeira, ex-dirigente do Movimento dos Estudantes Angolanos, declarou que a «coragem já não vai depender de nenhum partido político» e manifestou confiança na retirada do MPLA do poder em 2027.
| Atores | Reivindicações |
|---|---|
| Sociedade Civil Contestatária / Geraldo Dala | Libertação de detidos; fim da instrumentalização da justiça |
| Movimento Social para a Mudança / Francisco Teixeira | Mobilização contínua; alternância política em 2027 |
As ações em várias províncias mostram uma estratégia de visibilidade nacional e repetida que pretende manter a questão dos presos políticos na agenda pública. Do ponto de vista institucional, as acusações colocam pressão sobre o sistema judicial e sobre o poder político, podendo influenciar o debate nacional sobre direitos civis, liberdade de expressão e integridade do processo eleitoral.
Resta saber como as autoridades vão reagir às denúncias e se haverá respostas formais às exigências de libertação e garantias de não perseguição. Até lá, as vigílias e outras formas de protesto cívico prometem manter o assunto presente na esfera pública e política.