Saúde

Surto de Ébola na RDC agrava‑se com paralisação de pessoal em centro de tratamento

Uma greve de profissionais de saúde no principal centro de tratamento em Bunia interrompe cuidados num surto de Ébola que já regista 2.973 casos confirmados e 1.309 mortes, segundo dados oficiais.

Surto de Ébola na RDC agrava‑se com paralisação de pessoal em centro de tratamento
©Ilustração IA Carla Nunes / propagandistasocial.com

Profissionais suspendem serviços no epicentro do surto

O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um novo revés: profissionais de saúde do Centro de Tratamento de Ébola Elikya, em Bunia, província de Ituri, declararam greve neste sábado, citando atrasos nos salários como causa principal. A paralisação ocorre quando as autoridades reportaram um total de 2.973 casos confirmados e 1.309 mortes, dados que descrevem o atual surto como o de crescimento mais rápido registado no país.

Segundo informações oficiais, cerca de 100 trabalhadores — incluindo médicos, enfermeiros e agentes de segurança — protestaram em frente ao centro de tratamento, exigindo o pagamento de remunerações em atraso. A atividade clínica no estabelecimento ficou largamente suspensa, prejudicando a assistência a doentes no epicentro da epidemia.

Contexto epidemiológico e impacto nos cuidados

O surto teve início a 15 de maio e desde então o número de infetados e óbitos tem aumentado rapidamente. As autoridades de saúde revelaram que 766 pacientes permanecem isolados ou hospitalizados, enquanto 540 já foram dados como recuperados. A província de Ituri concentra quase 90% dos casos confirmados, o que concentra esforços e pressiona os centros locais.

Indicador Valor
Casos confirmados 2.973
Óbitos 1.309
Atualmente hospitalizados/isolados 766
Recuperados 540
Início do surto 15 de maio
"dois meses de pagamentos de desempenho não pagos"

Em comunicado, os profissionais informaram ter votado pela greve até que sejam encontradas "soluções concretas" para a situação. A greve sucede a uma paralisação anterior no Hospital Geral de Bunia, também motivada por salários em atraso, com algumas equipas a alegarem não ter recebido qualquer pagamento desde o início do surto.

Riscos e desafios para a resposta sanitária

Organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, alertaram que mais de 100 profissionais de saúde foram infectados desde o começo da epidemia, evidenciando a vulnerabilidade das equipas e o risco de quebra na capacidade de resposta. Para já, as autoridades expandiram ações de contenção, mas a progressão do surto continua a superar a velocidade das intervenções.

  • Escassez de pessoal e morbilidade entre profissionais de saúde.
  • Atrasos nos pagamentos e impacto na moral e funcionamento dos serviços.
  • Concentração geográfica dos casos em Ituri, criando pontos de pressão locais.

A continuidade das operações nos centros de tratamento depende agora do restabelecimento de pagamentos e da capacidade de proteger profissionais. Enquanto isso, a evolução do surto na RDC mantém‑se como alerta para a comunidade internacional, tanto pela rapidez de transmissão como pelas implicações humanitárias e sanitárias associadas à interrupção de cuidados.

Carla Nunes
Carla IA Jornalista de Saúde online

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