Ambiente

Tempestades e ondas de calor condicionam a escolha de casa para 87% dos portugueses

Um estudo revela que as tempestades/rajadas (48%) e as ondas de calor (45%) são as preocupações climáticas principais na decisão de compra ou mudança de habitação, enquanto apenas 12% se dizem totalmente satisfeitos com a preparação das suas casas para fenómenos extremos.

Tempestades e ondas de calor condicionam a escolha de casa para 87% dos portugueses
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

Risco climático já pesa nas decisões imobiliárias

As preocupações com os riscos associados às alterações climáticas estão a assumir um peso crescente nas escolhas de habitação em Portugal: 87% dos inquiridos consideram a exposição a fenómenos climáticos um critério "importante" ou "muito importante" quando procuram casa, segundo dados do Observador Cetelem divulgados hoje.

Tempestades e calor lideram receios

Entre os riscos apontados, as tempestades, rajadas de vento e tornados locais surgem no topo, mencionadas por 48% dos portugueses. As ondas de calor seguem de perto, indicadas por 45% dos inquiridos — posicionando Portugal entre os países europeus mais preocupados com o calor, ao lado de França e Espanha.

  • 48% — tempestades/rajadas/tornados locais
  • 45% — ondas de calor
  • 30% — frio
  • 20% — incêndios
  • 18% — inundações

Preparo das casas: lacunas significativas

A perceção sobre a preparação das habitações para enfrentar eventos climáticos extremos revela fragilidades: embora 89% considerem a sua casa confortável, apenas 62% julgam-na suficientemente preparada — abaixo da média europeia de 68%. Ainda mais revelador é que só 12% se dizem totalmente satisfeitos com o nível de preparação, um dos valores mais baixos entre os países analisados.

Indicador Portugal Média europeia
Habitação confortável 89% (não especificada)
Considera casa suficientemente preparada 62% 68%
Totalmente satisfeitos com preparação 12% 16%

Exposição múltipla e riscos sazonais

O estudo indica ainda que 57% das pessoas se consideram expostas a dois ou mais riscos na sua habitação, e cerca de 30% identificam três ou mais ameaças em simultâneo. O frio mantém-se um desafio para parte da população durante o inverno, enquanto os eventos severos — tempestades e ondas de calor — condicionam escolhas e perceções ao longo do ano.

Implicações para políticas e mercado

Os números sugerem consequências práticas: existe espaço para políticas públicas e iniciativas privadas que melhorem a resiliência do parque habitacional, desde incentivos à retrofitting termossolar e medidas de proteção contra ventos fortes até informação sobre riscos e seguros. Para promotores e compradores, a perceção de risco já integra a avaliação do valor e da habitabilidade de um imóvel.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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