No dia 4 de julho de 1965, o Vitória Futebol Clube consumou um dos momentos mais celebrados da sua história ao conquistar, no Estádio do Jamor, a primeira Taça de Portugal da sua existência. Frente a um Benfica então bicampeão e em busca da “dobradinha”, os sadinos impuseram-se por 3-1, num triunfo que permanece como referência para os adeptos e para a cidade de Setúbal.
A equipa orientada por Fernando Vaz apresentou-se determinada e com um desempenho ofensivo notório ao longo de toda a competição: até à final, o Vitória havia marcado 43 golos em 11 jogos, tornando-se no ataque mais concretizador daquela edição da prova. No Jamor, os golos sadinos foram apontados por José Maria, aos 8 minutos, por Jaime Graça, aos 57, e por Armando Bonjour, fechando o marcador após a redução benfiquista por Cavém, aos 82 minutos.
Caminho até à final
A campanha do Vitória até à final incluíu eliminações significativas e jogos emotivos, entre os quais se destacam:
- 16-avos de final: eliminação do Lusitano de Évora;
- oitavos de final: vitória sobre o Sports Angola;
- quartos de final: eliminação do Salgueiros;
- meias-finais: confronto com o Sporting, decidido num jogo de desempate após dois empates (2-2 em Setúbal e 1-1 em Lisboa), vencido pelo Vitória por 2-0.
Essa trajetória sublinha a regularidade e resiliência da equipa sadina ao longo da prova, que culminou na superação do Benfica, detentor do troféu e favorito naquela final.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Data | 4 de julho de 1965 |
| Local | Estádio do Jamor |
| Resultado | Vitória 3–1 Benfica |
| Marcadores do Vitória | José Maria, Jaime Graça, Armando Bonjour |
| Treinador | Fernando Vaz |
Em termos de onze titular, o Vitória alinhou com Mourinho Félix na baliza; Conceição, Torpes, Herculano e Carlos Cardoso na defesa; Jaime Graça, Quim e José Maria no meio-campo; e Carlos Manuel, Augusto Martins e Armando Bonjour no ataque. A vitória no Jamor constituiu não só a consagração de um conjunto de jogadores marcantes daquela década, mas também um marco para a comunidade sadina.
Para os habitantes de Setúbal, este triunfo teve efeitos que vão além do registo desportivo: reforçou a identidade colectiva em torno do clube, galvanizou gerações de adeptos e entrou no património simbólico da cidade. Em anos de comemoração do centenário do distrito, recordar a conquista de 1965 é também recapitular um capítulo importante da história local.