A construção e abertura dos primeiros troços da A2 marcaram uma mudança profunda nas ligações entre Lisboa e o distrito de Setúbal. Inaugurada em 6 de Agosto de 1966, a via nasceu como elemento central de um plano de modernização das acessibilidades que acompanhou, na mesma época, a abertura da ponte então conhecida como Salazar (hoje Ponte 25 de Abril).
Uma ligação que cresceu por fases
Os primeiros nove quilómetros, entre a capital e o Fogueteiro, foram apenas o ponto de partida de um processo de expansão que se estendeu por décadas. Ao longo dos anos seguintes, a autoestrada foi crescendo por troços e ganhando importância estratégica: em 1978 a via avançou até Palmela; no ano seguinte foi inaugurada a ligação a Setúbal, somando então 20,4 km desse primeiro segmento regional; a conclusão de grande parte do traçado só ficou completa em fases posteriores, com marcos como a extensão até o nó de Marateca em 1994, que reforçou a interligação com a A6 e a A12.
Hoje, com cerca de 240 km, a A2 é a segunda maior autoestrada do país e desempenha um papel central não só na ligação entre Lisboa e o Algarve, mas também na circulação quotidiana de habitantes da Margem Sul e do distrito de Setúbal, que a utilizam diariamente para trabalho, comércio e turismo.
Concessão e uso quotidiano
Em 1972, a integração da A2 na concessão da Brisa marcou uma viragem na execução do projecto: a concessionária assumiu a construção, conservação e exploração dos troços subsequentes, acelerando a continuidade da obra e garantindo a manutenção operacional da via. Do atual traçado, destaca-se que o único segmento sem portagens é o troço entre Almada e o Fogueteiro.
- Impacto na mobilidade local: redução do tempo de ligação entre a Margem Sul e Lisboa; incremento dos fluxos rodoviários no distrito.
- Desenvolvimento económico: facilitação do transporte de bens e acessos turísticos entre regiões.
- Gestão e manutenção: papel determinante da concessão na expansão e conservação da infraestrutura.
Para residentes do distrito de Setúbal, a A2 deixou de ser apenas uma via de passagem: tornou-se um eixo que condicionou a ocupação do território, a localização de empresas e a dinâmica dos deslocamentos pendulares. A transformação gradual do traçado refletiu prioridades sucessivas de planeamento nacional e regional, desde a criação de acessos rápidos à integração em redes concessionadas.
| Ano | Evento |
|---|---|
| 1966 | Inauguração dos primeiros 9 km (Lisboa–Fogueteiro) |
| 1972 | Integração na concessão da Brisa |
| 1978 | Extensão até Palmela |
| 1979 | Abertura do troço até Setúbal (20,4 km) |
| 1994 | Alargamento até o nó de Marateca |
Embora a A2 cumpra hoje uma função nacional — ligando Lisboa ao Algarve — o seu impacto mais imediato é local: assegura a mobilidade diária de milhares de condutores da Área Metropolitana de Lisboa e do distrito de Setúbal, influenciando horários, custos de transporte e padrões de deslocação.
A história da autoestrada revela também as opções de política pública que moldaram as comunicações rodoviárias em Portugal nas últimas décadas: da obra pública direta à gestão por concessionária, passando pela introdução de portagens que, em diferentes pontos, afetam a acessibilidade das populações. Para o distrito, a A2 permanece um eixo estruturante cujo passado informa as decisões de futuro em mobilidade e planeamento territorial.