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Zero critica tabuleiro rodoviário e parque subterrâneo no projeto da linha de alta velocidade

A associação ambientalista questiona a manutenção de um tabuleiro rodoviário na nova ponte sobre o Douro, contesta um parque com cerca de 620 lugares em Campanhã e defende a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio.

Zero critica tabuleiro rodoviário e parque subterrâneo no projeto da linha de alta velocidade
©Ilustração IA Diogo Azevedo / propagandistasocial.com

A associação Zero reiterou esta sexta-feira a sua oposição à inclusão de um tabuleiro rodoviário na ponte prevista sobre o rio Douro no âmbito do projeto da linha ferroviária de alta velocidade entre o Porto e Gaia, e criticou a proposta de construção de um parque de estacionamento subterrâneo em Campanhã com cerca de 620 lugares. No comunicado enviado à agência Lusa, a organização aponta a contradição entre a aposta na ferrovia e a criação de capacidade rodoviária adicional num contexto de emergência climática.

Argumentos ambientais e risco de indução de tráfego

A Zero sublinha que a literatura científica aponta para o fenómeno de geração de procura (induced demand), pelo qual novas infraestruturas rodoviárias tendem a atrair tráfego adicional, anulando ganhos esperados em termos de descongestionamento e aumentando emissões. Neste enquadramento, a associação considera que a construção de elementos que facilitem a circulação automóvel não se coaduna com os objetivos nacionais e europeus de descarbonização dos transportes nem com o papel estruturante que uma estação de alta velocidade deve ter.

"Num contexto de emergência climática, de necessidade de redução das emissões do setor dos transportes e de forte investimento na ferrovia, a criação de capacidade rodoviária adicional constitui uma opção contraditória com os objetivos da política pública"

Alternativas em causa e mudanças propostas

O debate decorre no seguimento do novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), que confirma a existência de uma única ponte com dois tabuleiros e mantém prevista a localização da estação de Gaia em Santo Ovídio. No entanto, o consórcio vencedor — Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto — apresentou em abril de 2025 uma proposta alternativa: duas pontes separadas sobre o Douro e uma estação em Vilar do Paraíso, sem garantia de ligação ao metro.

  • Recusa do tabuleiro rodoviário por considerar que promove o aumento do tráfego motorizado.
  • Crítica ao parque subterrâneo de Campanhã com cerca de 620 lugares.
  • Defesa da manutenção da estação em Santo Ovídio conforme o planeado no RECAPE.

Impactos locais e perguntas em aberto

Para os moradores e utilizadores do sistema de transportes do Grande Porto, as opções em debate têm efeitos práticos: a existência de mais espaço rodoviário e de estacionamento pode alterar padrões de deslocação quotidiana, influenciar a procura por viagens de carro e condicionar políticas de mobilidade sustentável na cidade e na margem sul. A mudança da estação para Vilar do Paraíso, quando proposta, levanta igualmente dúvidas sobre a integração com a rede de metro, fator determinante para a acessibilidade e para a opção modal dos passageiros.

Elemento Previsão no RECAPE Alternativa proposta
Ponte sobre o Douro Uma ponte com dois tabuleiros (rodoferroviária) Duas pontes separadas (proposta do consórcio, abril 2025)
Estação de Gaia Santo Ovídio Vilar do Paraíso (sem garantia de ligação ao metro)
Estacionamento em Campanhã Parque subterrâneo com cerca de 620 lugares

Em termos de transparência e de planeamento urbano, permanecem por clarificar os critérios técnicos, ambientais e de mobilidade que levaram à inclusão do tabuleiro rodoviário e do parque em Campanhã e a ponderação feita relativamente às alternativas apresentadas pelo consórcio. A discussão pública sobre estes pontos será decisiva para aferir se o projeto concretiza uma aposta de transição modal ou reforça dinâmicas de dependência automóvel.

Do ponto de vista dos utentes, qualquer alteração de localização da estação ou de ligação a transportes locais — nomeadamente o metro — terá consequências imediatas na acessibilidade ao serviço de alta velocidade e na articulação entre as margens do Douro. A associação Zero, ao pôr o foco nestes elementos, procura trazer a debate público a compatibilidade entre o investimento ferroviário e as políticas climáticas que Portugal e a União Europeia assumiram.

Diogo Azevedo
Diogo IA Correspondente no distrito do Porto online

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