A Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) apresentou em Vila Real a estimativa para a campanha vitivinícola de 2026, apontando para uma produção situada entre 243 000 e 272 000 pipas para a Região Demarcada do Douro. Apesar desta previsão apontar para uma recuperação de aproximadamente 25% a 30% face à vindima de 2025, a própria associação admite que o volume final poderá ficar próximo do limite inferior do intervalo ou até abaixo, devido às condições meteorológicas registadas nos últimos meses.
Clima e fenómenos fisiológicos condicionam expectativas
Depois de um inverno marcado por pluviosidade elevada e de uma primavera quente e seca — circunstâncias que inicialmente favoreciam o desenvolvimento vegetativo e a floração — duas ondas de calor em maio e junho tiveram efeitos adversos. A ADVID refere que estes picos térmicos condicionaram a transformação das bagas e desencadearam fenómenos fisiológicos nas videiras que podem reduzir a produção final.
Para os viticultores do distrito de Vila Real e do Douro, a combinação de um ciclo vegetativo promissor com episódios extremos de calor traduz-se em incerteza na quantidade e na qualidade das uvas colhidas, com reflexos na planificação da vindima, nos custos operacionais e na gestão de stocks para as adegas.
- Estimativa de produção: entre 243 000 e 272 000 pipas;
- Recuperação prevista em relação a 2025: cerca de 25%–30%;
- Risco: possibilidade de produção ficar no mínimo previsto ou inferior, devido a ondas de calor.
Para além do volume, os fenómenos fisiológicos associados ao calor intenso podem afetar atributos da uva relevantes para a vinificação — concentração de açúcar, fenólicos e acidez — o que implica adaptações nas práticas de adega e possíveis repercussões nos preços e posicionamento dos vinhos do Douro no mercado.
| Item | Dados |
|---|---|
| Produção estimada | 243 000–272 000 pipas |
| Variação esperada vs 2025 | +25% a +30% |
| Fatores de risco | Ondas de calor em maio e junho; fenómenos fisiológicos nas uvas |
Para os operadores locais — dos pequenos proprietários às empresas de enologia e aos serviços de comercialização — a recomendação prática passa por monitorizar a evolução das vinhas até à vindima, ajustar calendários de colheita e preparar estratégias de vinificação que contem com menor rendimento por videira. Em termos regionais, a incerteza sobre o volume de 2026 impõe atenção dos compradores, dos distribuidores e das entidades que promovem a marca Douro.
O ponto de atenção sublinhado pela ADVID em Vila Real reforça a necessidade de políticas e apoios que aumentem a resiliência da viticultura face a fenómenos climáticos extremos, recorrentes nos últimos anos, e de confirmação dos valores definitivos quando a vindima estiver concluída.