Medida municipal visa restituir a paisagem agrícola e reduzir risco de fogo
A Câmara Municipal de Águeda anunciou uma iniciativa destinada a recuperar campos de milho nos arredores das aldeias com o objectivo de restabelecer uma paisagem agrícola tradicional que, segundo o presidente municipal, já demonstrou capacidade de funcionar como barreira natural contra incêndios. A proposta surge na sequência do grande incêndio de julho que atingiu a região e que avançou de Vouzela para concelhos vizinhos, incluindo Águeda.
O executivo propõe a reocupação de terrenos actualmente abandonados ou convertidos em eucalipto e infestantes, muitos deles adjacentes a casas e aldeias. A ideia passa por oferecer apoio técnico e logístico para a sementeira, desde que os proprietários cedam os terrenos — numa lógica de parceria entre município e titulares dos solos. Em contrapartida, a produção poderia servir como rendimento para os agricultores ou proprietários envolvidos.
“Chamuscou as duas primeiras carreiras e parou imediatamente”, descreve o presidente, lembrando o momento em que as chamas se aproximaram de uma área de milho.
O presidente municipal defende que a recuperação dos campos agrícolas devolve ao território uma função protectora e contribui para a segurança das povoações. A proposta integra preocupações de protecção civil e de ordenamento rural, procurando oferecer uma alternativa à expansão de combustíveis mais perigosos, como eucaliptos, em bordaduras de áreas habitadas.
O incêndio referido mobilizou mais de 1.200 operacionais e destruiu mais de 15.000 hectares, segundo os números tornados públicos, facto que reforça a urgência de medidas preventivas adaptadas ao contexto local. A estratégia municipal procura também efeitos colaterais positivos: recuperação de terreno agrícola, criação de rendimento e valorização da paisagem tradicional.
- Reocupação de terrenos abandonados ou convertidos em eucalipto/infestantes.
- Oferece‑se apoio municipal para sementeira, condicionado à cedência do terreno.
- Produção agrícola poderá funcionar como renda para os proprietários.
Para os habitantes de Águeda, a medida traduz‑se em várias implicações práticas: reforço da protecção periférica das aldeias, necessidade de diálogo entre proprietários e município, e mudança na gestão local do solo que pode implicar trabalhos de preparação e sementeira em proximidade imediata às habitações. A concretização dependerá da disponibilidade dos proprietários e do desenho operativo que a Câmara venha a apresentar para implementar as sementeiras de forma sustentada e segura.
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Operacionais mobilizados no incêndio | 1.200 |
| Hectares afectados | 15.000+ |
O sucesso da proposta exigirá ainda articulação com entidades de proteção civil, técnicos agrícolas e as próprias comunidades locais, para que a reposição de milho e outros cultivos funcione não apenas como medida de paisagem, mas como uma barreira efectiva e duradoura contra novos episódios de fogo.