O presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto, qualificou de “inaceitável” a atitude das associações que se opuseram à saída do Mercado Municipal de Santiago e que vieram a público contestar o desbloqueio de acessos e o adiamento de uma reunião prevista com o executivo.
Em declarações à Ria, após a reunião camarária da passada quinta‑feira, o autarca afirmou que a Câmara tem vindo a comunicar, há meses, a necessidade de iniciar obras no Mercado e que essa informação implicava a preparação por parte das instituições que ocupam espaços no equipamento.
“É inaceitável. Nós andamos há meses a comunicar que a obra vai começar, que é preciso começar a tratar de arrumar as coisas e, portanto, há associações que perceberam isto e trataram de fazer essa arrumação.”
O episódio teve maior eco público depois da Associação de Dadores de Sangue do Conselho de Aveiro (ADASCA) ter vindo a público denunciar o impedimento de acesso à sua sede administrativa no mercado e queixado do adiamento, sem data, da reunião marcada para 5 de agosto nos Paços do Conselho.
Luís Souto reconheceu o incómodo causado pela mudança, mas defendeu que se trata de um incómodo temporário com vista a melhorar o espaço para todos. O presidente disse ainda ter ficado surpreendido com a forma como uma associação recorreu à comunicação social, considerando que tal atitude não é positiva para o relacionamento entre instituições.
Sobre o cancelamento da reunião, o autarca explicou que a Câmara recebeu uma comunicação sugerindo que a própria associação não pretendia manter a audiência previamente prevista, o que, segundo ele, condicionou o processo.
O que está em causa e o que esperar
As principais questões colocadas ao município e às associações envolvem:
- O calendário das obras no Mercado Municipal de Santiago;
- A necessidade de libertação ou relocação de espaços ocupados por associações;
- A gestão da comunicação e do diálogo entre a autarquia e as entidades utilizadoras do mercado.
Para os residentes e utentes do Mercado de Santiago, a disputa traduz‑se em incómodo imediato — nomeadamente no acesso a serviços que funcionam naquele espaço — e em incerteza sobre prazos e soluções alternativas enquanto decorrem as intervenções.
| Evento | Referência |
|---|---|
| Comunicação da Câmara sobre obras | “Há meses” (segundo a CMA) |
| Reunião agendada entre associações e executivo | 5 de agosto (adiada sem data) |
| Reclamação pública | ADASCA denunciou impedimento de acesso à sede |
O episódio evidencia a necessidade de clarificação do calendário de obras e de mecanismos de apoio para as associações afetadas. A Câmara defende ter procurado comunicar com antecedência; as associações reclamam mais diálogo e garantias de continuidade no acesso aos seus serviços. Cabe agora às partes retomar o contacto para evitar que a questão escale e cause constrangimentos adicionais aos munícipes.