Temporada de verão e outono na Casa da Cerca
A Casa da Cerca — Centro de Arte Contemporânea, situada em Almada Velha, abre este sábado, dia 18 de julho, às 18h, uma programação que reúne quatro propostas de arte contemporânea e que permanecerá em cartaz até 22 de novembro. A curadoria foi assumida por Cláudia Ramos, segundo a nota divulgada pela Câmara Municipal de Almada.
As mostras ocupam distintos espaços do edifício e estabelecem ligações explícitas entre interior e exterior, memória e presença, bem como entre obra e contexto. Trata-se de uma aposta que procura envolver públicos diversos, oferecendo experiências que variam entre a contemplação, a leitura de arquivo e a exploração sensorial dos espaços do centro.
- Galeria Principal: "Segundo Sono", de Rui Calçada Bastos — pinturas, esculturas, desenhos e fotografias sobre suspensão e transição.
- A Cisterna: "Outra Sombra", de Edgar Massul — instalação específica que utiliza luz natural, troncos de Acacia dealbata e tecidos de linho.
- Galeria do Pátio: "O meu suspiro é uma nuvem da Terra", de Catarina Gentil — trabalhos centrados em matérias do abrigo, da pele e do jardim.
- Sala de Leitura do Centro de Documentação e Investigação Mestre Rogério Ribeiro: "Cada dia é um novo rio", núcleo documental sobre Pedro Morais com documentação cedida pelo Banco de Arte Contemporânea.
"Obras que pedem tempo: para ver, para entrar na sombra, para ler o arquivo, para escutar o jardim", refere a Câmara de Almada.
A exposição de Rui Calçada Bastos, na Galeria Principal, reúne diferentes suportes e propõe um universo onde elementos do quotidiano se diluem em atmosferas ambíguas entre vigília e sonho. Trata-se de um conjunto de trabalhos pensado para enfatizar estados de suspensão e elevação e convidar o visitante a leituras demoradas.
Na Cisterna, a peça de Edgar Massul foi criada especificamente para o espaço: a obra joga com a penumbra e o silêncio, articulando materiais orgânicos — nomeadamente troncos de Acacia dealbata, espécie invasora — e tecidos que estabelecem uma reflexão germinada entre ambiente e tempo. A utilização desses materiais introduz ainda uma dimensão ambiental nas leituras da instalação.
Na Galeria do Pátio, a proposta de Catarina Gentil centra-se em questões de fragilidade entendida como possibilidade de relação com o mundo: matérias ligadas ao abrigo, à pele e ao jardim estruturam uma visão sobre modos de habitar e de presença. Por fim, o núcleo documental dedicado a Pedro Morais faz o percurso inverso, voltado para o arquivo e para a memória pedagógica, reunindo documentação do Banco de Arte Contemporânea e refletindo o lado formativo do artista.
| Espaço | Artista | Título |
|---|---|---|
| Galeria Principal | Rui Calçada Bastos | Segundo Sono |
| Cisterna | Edgar Massul | Outra Sombra |
| Galeria do Pátio | Catarina Gentil | O meu suspiro é uma nuvem da Terra |
| Sala de Leitura (CDI Mestre Rogério Ribeiro) | — | Cada dia é um novo rio (Pedro Morais) |
Para os residentes de Almada, a nova temporada representa uma oferta cultural concentrada no centro histórico, com programação que pode dinamizar visitas ao espaço e fomentar atividades educativas e de público. A presença de obras que interpelam o tempo e o espaço da Casa da Cerca pode também influenciar outras iniciativas municipais e privadas voltadas para as artes contemporâneas na cidade.
A inauguração é aberta ao público no dia 18 de julho, às 18h, e as exposições ficam acessíveis até 22 de novembro, permitindo a quem vive em Almada e visitantes programarem visitas ao longo de vários meses.