Autarcas reclamam investimentos locais e garantias ambientais
Os responsáveis municipais dos concelhos afetados pelo projeto da barragem de Girabolhos assumiram uma posição de apoio condicionado durante a sessão de lançamento do concurso público para a construção do empreendimento no Alto Mondego. Em Gouveia, os autarcas destacaram tanto as potencialidades do investimento como a necessidade de contrapartidas que traduzam benefícios palpáveis para as populações locais.
O projeto abrange uma área que compreende os municípios de Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, no distrito da Guarda, e ainda Mangualde e Nelas, no distrito de Viseu. No arranque do procedimento público, as reivindicações centrais incidiram sobre a construção e melhoria de infraestruturas rodoviárias e hídricas, bem como sobre medidas para proteger e valorizar o curso do rio Mondego.
- Reivindicação de construção dos Itinerários Complementares IC 7, IC 37 e IC 12
- Pedido de melhoria do abastecimento de água às populações
- Exigência de proteção e valorização do rio Mondego
Jorge Ferreira (PSD), presidente da Câmara de Gouveia, foi o primeiro a intervir e enquadrou a barragem como um projeto há muito reclamado por parte significativa das populações e autarquias da região. O presidente destacou a componente de oportunidade socioeconómica: a concretização da obra pode contribuir para a criação de emprego, a fixação de pessoas e a atração de investimento privado, além de melhorar acessibilidades e a atratividade do interior.
«É um momento histórico para o nosso concelho e para toda a região e o início de um novo ciclo porque a sua concretização [da barragem] transporta consigo um sinal claro de esperança na criação de emprego, na fixação de pessoas e na captação de investimento privado». — Jorge Ferreira
Apesar do reconhecimento das vantagens potenciais, os autarcas sublinharam que o apoio local não pode ser concedido sem condições. Jorge Ferreira apelou ao desenvolvimento do processo «com transparência, rigor técnico e diálogo permanente», de modo a compatibilizar os objetivos ambientais, energéticos, territoriais e de desenvolvimento económico.
Também Luciano Ribeiro (PS), presidente da Câmara de Seia, recordou reivindicações históricas relacionadas com as ligações rodoviárias: a construção dos IC 7, IC 37 e IC 12 foi apontada como uma necessidade para valorizar o território e melhorar os acessos à futura barragem. O autarca frisou que não se trata de exigir autoestradas, mas sim estradas melhores, essenciais para a coesão regional.
João Pedro Cruz, vice-presidente da Câmara de Mangualde, também realçou que o apoio dos municípios não é um «cheque em branco», sublinhando a importância de contrapartidas claras. Entre as propostas que emergem do terreno está, ainda, a inclusão de vias rodoviárias em modelos de Parcerias Público-Privadas (PPP) que o Governo pretende lançar para novas infraestruturas.
| Municípios afetados | Distrito |
|---|---|
| Fornos de Algodres | Guarda |
| Gouveia | Guarda |
| Seia | Guarda |
| Mangualde | Viseu |
| Nelas | Viseu |
O debate que se abriu em Gouveia espelha tensões comuns a grandes projetos de engenharia: a balança entre os ganhos económicos e de desenvolvimento regional e os custos ambientais e territoriais. Os pedidos de contrapartidas — estradas, abastecimento de água e medidas de proteção do Mondego — ilustram a intenção dos eleitos locais de transformar o investimento central numa alavanca de coesão para o interior.
Com o lançamento do concurso público, ficam agora em aberto as fases subsequentes do processo: definição rigorosa das condicionantes ambientais, avaliação técnica e negociações sobre possíveis compensações. A insistência na transparência e no diálogo aponta para um escrutínio público atento nas próximas etapas, com os municípios a exigir garantias de que os benefícios prometidos não ficarão apenas em palavras.