Reconhecimento oficial reforça proteção de uma arte com raízes locais
O Figurado de Barcelos passou a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, numa decisão publicada em Diário da República que resulta de uma candidatura apresentada em outubro de 2024 pelo município. A inscrição traduz um reconhecimento formal do valor histórico, artístico, social e identitário desta expressão artesanal, centrada na modelação de figuras em pasta cerâmica.
Segundo a Câmara Municipal, o processo valorizou a continuidade intergeracional entre artesãos espalhados por várias freguesias do concelho e a relevância atual do figurado na vida das comunidades locais. O reconhecimento tem um alcance simbólico e prático: além de prestigiar os profissionais que mantêm a tradição, pode abrir portas a medidas de salvaguarda, promoção e apoios específicos destinados a reforçar a transmissão dos saberes.
“É, acima de tudo, uma homenagem às gerações de homens e mulheres que souberam preservar este saber‑fazer único e transmiti‑lo ao longo do tempo”,
afirma Mário Constantino, presidente da Câmara de Barcelos, ao sublinhar que a decisão representa «o reconhecimento oficial da autenticidade, da riqueza artística e da importância cultural do Figurado de Barcelos».
- Identidade: o figurado é elemento reconhecível da cultura barcelense e da olaria portuguesa.
- Comunidade: a prática mantém várias dezenas de intervenientes em diferentes freguesias.
- Transmissão: existe continuidade na passagem de técnicas entre gerações.
Para os habitantes de Barcelos, a inscrição reforça a visibilidade do território enquanto pólo de artesanato tradicional. A menção oficial pode também ter impacto nas dinâmicas locais de turismo cultural — atraindo visitantes interessados em saberes tradicionais — e facilitar candidaturas a financiamentos para formação, documentação e atividades de divulgação.
| Marco | Data |
|---|---|
| Submissão da candidatura | Outubro de 2024 |
| Publicação da decisão | Julho de 2026 |
O reconhecimento reforça também a responsabilidade das entidades locais — autarquia e associações culturais — na documentação e na promoção do figurado, de modo a garantir que as técnicas, estilos e características estéticas que tornam as peças imediatamente identificáveis sejam preservadas. Moradores e agentes culturais terão nas próximas semanas a oportunidade de acompanhar as iniciativas que a Câmara venha a delinear para aproveitar este enquadramento institucional.
Num território em que a imagem do Galo e outras figuras da tradição convivem com manifestações contemporâneas do artesanato, a integração do Figurado no Inventário Nacional consolida a materialidade de uma prática que liga memórias, economia local e expressão artística.