Decisão do MP concentra investigação em magistratura
O Ministério Público confirmou esta quarta-feira que a investigação ao atrelado localizado nas instalações da Construbarcelos, em Barcelos, não será, por agora, encaminhada para a Polícia Judiciária. O caso passou a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, com magistrados do Ministério Público a liderarem o processo.
A presença do atrelado nas instalações da empresa do empresário João dos Santos Carvalho, encontrada acoplada a um camião da Construbarcelos, suscitou especial atenção devido à proveniência do veículo: o pesado tinha sido apreendido em 2024 no âmbito da chamada Operação Pacoba, uma investigação a uma rede internacional de tráfico de cocaína, durante a qual foram identificados bidões com acetona e outros produtos químicos usados no processamento de estupefacientes.
“A investigação encontra-se a cargo do MP deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal.”
Esta decisão da Procuradoria-Geral da República impede, pelo menos numa fase inicial, a intervenção direta da Polícia Judiciária nas diligências sobre as circunstâncias em que o atrelado saiu do local onde estava à guarda das autoridades e acabou por ficar parqueado em Barcelos. Fontes oficiais indicam que, após a identificação do veículo na empresa, a própria PJ procedeu à sua remoção e voltou a colocá-lo sob custódia das autoridades.
O caso tem ecos locais relevantes: a Construbarcelos, propriedade do empresário mencionado, celebrou vários contratos com a Polícia Judiciária enquanto o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, dirigia essa força. O empresário também realizou obras numa propriedade do ministro em Odemira e é referido como tendo relações de proximidade com o governante. Estes factos têm gerado atenção mediática nacional e suscitado questões sobre a transparência das relações entre entidades privadas e autoridades.
- Atrelado apreendido na Operação Pacoba (2024).
- Encontrado acoplado a camião da Construbarcelos em Barcelos.
- Investigação entregue ao DIAP de Lisboa; PJ afastada por ora.
A concentração do processo no DIAP de Lisboa significa que os passos seguintes serão ordenados por magistrados do Ministério Público, sem delegação imediata a órgãos de polícia criminal. Para os moradores e agentes económicos de Barcelos, a exposição pública da empresa envolvida e as ligações referidas ao atual titular da pasta da Administração Interna poderão ter repercussões na confiança institucional local e na perceção sobre contratos públicos anteriormente celebrados.
| Data | Evento |
|---|---|
| 2024 | Atrelado apreendido na Operação Pacoba. |
| Fevereiro de 2026 | Luís Neves deixa direção nacional da PJ para assumir o Ministério da Administração Interna. |
| 22 de julho de 2026 | PGR confirma que o inquérito ficará no DIAP de Lisboa, sem delegação à PJ. |
Perante este enquadramento, a população de Barcelos acompanha a evolução do processo devido ao envolvimento local e às implicações que a investigação poderá trazer para a transparência das relações entre empresas do concelho e entidades estatais. O DIAP de Lisboa é agora o responsável directo pela instrução do inquérito e caberá aos magistrados determinar os próximos atos de investigação.